Stanicky; Yannick

por Álvaro André Zeini Cruz

Stanicky é ator; Yannick é plateia.
Stanicky atua em shows vulgares; Yannick assiste a uma peça vagabunda.
Stanicky, desmotivado, entedia; Yannick, diante à desmotivação, está entediado.
Stanicky parece medíocre; Yannick, também, quando, na verdade, estarrece em face à mediocridade.
Stanicky topa qualquer bico; Yannick trabalhou o dia todo para chegar ali e engolir qualquer coisa.
Stanicky encontra um papel; Yannick, também.
Stanicky incorpora uma farsa; Yannick amaneiriza o farsesco para implodir a farsa ofensiva.
Stanicky é stanislavskiano; Yannick, sectário de Antonin Artaud.
Stanicky veste um chapéu de caubói e se arma com um cortador de charuto; Yannick usa um casaco de couro e empunha uma arma.
Stanicky se torna espetáculo; Yannick desfaz o limiar espetacular.
Stanicky ganha os atores; Yannick os faz reféns.
Stanicky sustenta a interpretação; Yannick reescreve a ação.
Stanicky se descuida da mulher na plateia (que irá desmascará-lo numa elipse); Yannick ganha a plateia (exceto um senhor, cansado dos absurdos).
Stanicky descobre um autor; Yannick ressuscita um ator.
Stanicky trasmuta o “se mágico” em verdade; Yannick, no teatro da crueldade, traz à tona uma verdade.
Stanicky conquista Zac Efron, William H. Macy e cia.; Yannick, os aplausos.
Stanicky é a máscara em retalhos do cinema dos Farrelly. Yannick, o rosto que transborda entre o palco e a plateia. Finalmente emocionado.

ps.: Stanicky está na Prime Video; Yannick, no Mubi.