Introdução: O estado de convergência na pesquisa em mídia e comunicação, de Klaus Bruhn Jensen

Tradução do capítulo: JENSEN, Klaus Bruhn. Introdução: o estado de convergência na pesquisa em mídia e comunicação. In: JENSEN, Klaus Bruhn (Ed.). A Handbook of Media and Communication Research: Qualitative and Quantitative Methodologies. 3. ed. Abingdon, Oxon: Routledge, 2021. p. 1-21.
Tradução de Álvaro André Zeini Cruz. As figuras do original seguem mencionadas, mas foram suprimidas da tradução.

Este capítulo apresenta uma caracterização do campo de pesquisa em mídia e comunicação como uma encruzilhada interdisciplinar de diferentes faculdades acadêmicas, uma tipologia de mídias de três graus — humanos como mídia corporificada, mídia de massa e mídia em rede — uma revisão comparativa de definições e modelos dos conceitos-chave de informação, comunicação e ação, uma descrição da mídia como um conjunto distinto de instituições para pensar, e um esboço do manual, seus objetivos e premissas.

Campos e faculdades

O campo da pesquisa em mídia e comunicação surgiu durante o século XX na encruzilhada de diversas disciplinas e faculdades, que, por sua vez, haviam se consolidado ao longo de um período de 200 anos. Em 1798, por volta da época da formação da universidade como uma instituição de pesquisa moderna (Fallon, 1980; Rudy, 1984), o filósofo alemão Immanuel Kant identificou um conflito entre suas diversas faculdades, argumentando que as humanidades (a faculdade de filosofia), e não a faculdade de teologia, deveriam fornecer as bases para a investigação dos aspectos naturais e culturais da realidade no âmbito das demais faculdades (Kant, 1992/1798). Há cerca de 100 anos, as ciências sociais gradualmente se desvincularam das humanidades para produzir novas formas de conhecimento sobre as sociedades modernas cada vez mais complexas e para formar mais profissionais para administrá-las. Há cerca de 50 anos, um campo de pesquisa interdisciplinar começou a se formar em resposta ao papel cada vez maior da comunicação de massa impressa e eletrônica no cotidiano, baseando-se em conceitos e métodos tanto das humanidades quanto das ciências sociais e, em certa medida, das ciências naturais. Com o surgimento das novas mídias digitais nas últimas décadas e a digitalização contínua das mídias tradicionais, esse campo tornou-se mais central do que nunca para os desenvolvimentos políticos, econômicos e culturais da sociedade e do mundo.

Ao longo de sua história relativamente curta, a pesquisa em mídia e comunicação permaneceu um campo de divisões disciplinares e, ocasionalmente, de conflitos entre as faculdades contribuintes. A maioria das tradições de pesquisa concorda com descrições resumidas de ideias-chave, como informação, comunicação e ação. Os meios de comunicação são veículos de informação — eles disponibilizam representações e percepções da realidade, articuladas em texto, imagem e som. Os meios de comunicação são canais de comunicação — eles tornam a informação acessível aos comunicadores e os comunicadores uns aos outros. E os meios de comunicação são meios de ação — a comunicação é performativa tanto em seu desenvolvimento quanto em seu término. A maioria dos pesquisadores concorda, em princípio, que o apartheid é contraproducente para a produção de novos conhecimentos sobre cada um desses aspectos da mídia e da comunicação — a dificuldade reside em como, na prática, evitar o imperialismo (K. B. Jensen, 1995: 141-145). Em uma perspectiva futura, um teste da maturidade da área é se, e como, ela poderá eliminar ou superar as persistentes divisões teóricas e metodológicas entre diferentes tradições de pesquisa que examinam a comunicação de massa, interpessoal e em rede.

Em sua terceira edição, o Handbook faz um balanço da reconfiguração digital do ambiente midiático em geral, aproveitando a oportunidade para revisar e avaliar o estado de convergência no campo acadêmico da pesquisa. Este capítulo introdutório apresenta um arcabouço para o restante do Handbook, com três elementos principais.

Primeiramente, distingo três graus de mídia: o corpo humano, que possibilita a comunicação face a face; os meios de comunicação de massa reproduzidos tecnicamente; e as tecnologias digitais, que facilitam a interação em rede, seja um-a-um, um-a-muitos ou muitos-a-muitos. Assim como a dicotomia entre comunicação de massa e interpessoal, a distinção entre online e offline mostra-se cada vez mais inútil na tentativa de conceituar e estudar as comunicações contemporâneas. Os seres humanos se comunicam presencialmente, por meio de fios e pelo ar.

Em segundo lugar, reviso as principais variantes dos modelos de comunicação que, explícita ou implicitamente, continuam a influenciar os livros didáticos de graduação, bem como o desenvolvimento teórico de ponta. A revisão está estruturada em torno de concepções distintas das ideias-chave de informação, comunicação e ação em diversas contribuições humanísticas, sociocientíficas e das ciências naturais para o campo em geral.

Em terceiro lugar, caracterizo os meios de comunicação como um tipo especial de instituição — instituições para pensar — que permitem às sociedades refletir e negociar sua existência e coexistência. A comunicação se consolida como cultura; ela confere significado às ações humanas e às estruturas sociais ao longo do tempo. Para situar o atual ambiente midiático em perspectiva histórica, retorno ao modelo de esfera pública de Jürgen Habermas e observo como novas formas de ação política, econômica e cultural, facilitadas pelas mudanças nos formatos midiáticos, pressionam os limites do modelo clássico de esfera pública.

Mídias de três graus

Determinação em primeira instância

Os meios de comunicação ocupam um terreno intermediário entre a realidade material e a imaterial. Páginas impressas, tiras de celuloide, sinais eletromagnéticos e fluxos de bits são todos fenômenos materiais. Ao mesmo tempo, diferentes mídias materiais dão acesso a uma ampla variedade de mundos reais, possíveis e quase inimagináveis. Por serem programáveis de maneiras distintas, as mídias digitais suscitaram afirmações mais ou menos radicais de que as fronteiras entre a realidade material e a imaterial podem estar se transformando de maneiras fundamentais. As pesquisas que abordam essas fronteiras variam desde tentativas, desde a década de 1950, de programar um tipo geral de inteligência artificial (Boden, 1996; Gunkel, 2020; Partridge, 1991), passando por uma vertente inicial dos estudos de novas mídias que abrange ciberespaços, ciberculturas e cibersociedades (Bell & Kennedy, 2000; Benedikt, 1991; Jones, 1998), até a crítica cultural que projeta um futuro ciborgue e uma era pós-humana da vida (Haraway, 1991; Hayles, 1999).

A matéria importa. Apesar da extraordinária flexibilidade das tecnologias digitais, elas se prestam, como qualquer ferramenta ou tecnologia, a certos usos sociais e não a outros. Parece necessário reenfatizar essa premissa, porque parte da pesquisa em mídia e comunicação tem se esquivado de questões de determinação, talvez em parte para se distanciar de noções antigas e ainda populares de efeitos fortes e diretos, em parte sob a influência de um construtivismo pouco especificado nas ciências sociais e humanas (para uma discussão crítica, ver Hacking, 1999).


Caixa de Recursos 1.1: Obras de referência gerais e periódicos

Enciclopédias:

  • Enciclopédia Internacional da Comunicação – o maior recurso disponível sobre pesquisa em mídia e comunicação, incluindo perspectivas teóricas, históricas, metodológicas e culturalmente comparativas. Publicada em 12 volumes e disponível online (Donsbach, 2008), foi complementada por uma série de enciclopédias mais especializadas, incluindo obras sobre teoria e filosofia da comunicação (Jensen & Craig, 2016), sobre comunicação interpessoal (Berger & Roloff, 2015) e sobre comunicação organizacional (Scott & Lewis, 2017).

Resumos:

  • Communication and Mass Media Complete – resumos de pesquisas atuais em pesquisa sobre mídia e comunicação.
  • Web of Science – um recurso amplo e interdisciplinar que abrange diversos periódicos, anais de conferências e outras publicações.

Histórias:

  • (Briggs, Burke & Tyreberg, 2020) – uma visão geral dos meios de comunicação, da imprensa à internet.
  • (Peters, 1999) – uma história da própria ideia de comunicação, com implicações tanto para a história geral das ideias quanto para os estudos de mídia atuais.
  • (Simonson, Peck, Craig & Jackson, 2013a) – um manual que abrange tanto a história da mídia e da comunicação em si quanto a história do estudo histórico da mídia e da comunicação.

Manuais e livros didáticos:

  • (McQuail & Deuze, 2020) – uma introdução padrão às posições na área, com ênfase relativa nas tradições das ciências sociais.
  • (Lindlof & Taylor, 2019) – uma visão geral dos métodos de pesquisa qualitativa, incluindo suas fontes teóricas e filosóficas.
  • (Berger, Roloff & Roskos-Ewoldsen, 2009) – um manual que resume trabalhos que abordam os estudos da comunicação como uma ‘ciência’.

Periódicos:

  • Journal of Communication – desde a década de 1970, uma publicação de referência na área, que abrange trabalhos quantitativos e qualitativos, administrativos e críticos.
  • Communication Theory – outro periódico fundamental que contribui para o desenvolvimento teórico sobre comunicação mediada por tecnologia, bem como comunicação presencial.
  • Critical Studies in Media Communication e Media, Culture & Society – dois representantes das vertentes crítica e interpretativa da pesquisa em mídia e comunicação.
  • Journal of Broadcasting and Electronic Media e Journalism and Mass Communication Quarterly– dois representantes das tradições de pesquisa convencionais e quantitativas.
  • Journal of Cinema and Media Studies e Screen – dois periódicos com foco no cinema como forma de arte e prática cultural.
  • New Media & Society e Journal of Computer-Mediated Communication – dois periódicos que abordam a mídia digital.

Uma reformulação da questão da determinação foi sugerida por um dos fundadores dos estudos culturais, Stuart Hall (1983), que introduziu uma distinção entre determinação em última instância e determinação em primeira instância. Em uma reavaliação do marxismo, ele questionou a tendência de grande parte da teoria crítica de assumir como certo que, em última análise, são as bases econômicas da sociedade que determinam como os seres humanos vivem suas vidas e constroem sua própria história. No fim das contas, o dinheiro fala mais alto. Invertendo essa perspectiva analítica, Hall reconheceu como as condições econômicas e materiais predominantes estabelecem limites externos à agência humana e à interação social, mas ressaltou a relativa indeterminação e variabilidade de como, por exemplo, as invenções tecnológicas são colocadas em usos sociais específicos. As tecnologias têm consequências imprevistas, até mesmo imprevisíveis.

(Uma concepção comparável de determinação como um processo estratificado com múltiplos agentes causais foi denominada sobredeterminação por Sigmund Freud em A Interpretação dos Sonhos [1911/1900]. Ele observou como os eventos de um dia comum se misturam com experiências há muito esquecidas e talvez reprimidas, tanto no conteúdo quanto na forma dos sonhos. Transferindo a terminologia de Freud para a teoria social crítica, Louis Althusser [1977/1965] questionou o determinismo econômico do marxismo tradicional e enfatizou a relativa autonomia das práticas políticas e culturais na formação dos desenvolvimentos sociais.)

As tecnologias possuem affordances (Gibson, 1979), ou seja, potenciais que precisam ser concretizados (para uma visão geral, ver Evans, Pearce, Vitak & Treem, 2017; Hsieh, 2012; Hutchby, 2001). Para ilustrar, as mensagens de texto (SMS) têm sido um fator-chave na difusão da telefonia móvel em todo o mundo nas últimas duas décadas (Castells, Fernandez-Ardevol, Qiu & Sey, 2007). Isso apesar de essas mensagens terem sido inicialmente concebidas como uma forma de provedores de serviços contatarem clientes ou oferecerem serviços especializados, e não como comunicação entre assinantes. Nem o potencial técnico (que precisava ser percebido e aprimorado) nem a motivação geral do lucro (que é inerente às economias de mercado) explicam a proeminência resultante das mensagens de texto — a primeira aplicação revolucionária da comunicação móvel. A prática social de enviar mensagens de texto foi determinada tecnologicamente (e economicamente), mas apenas em primeira instância, e o envio de mensagens de texto via telefonia está sendo parcialmente substituído por serviços de mensagens digitais adicionais.

As condições materiais da comunicação estão, evidentemente, fora do controle de qualquer ser humano individual. As capacidades perceptivas, cognitivas e interativas do meu corpo, embora cultivadas pela socialização e educação, são os limites da minha comunicação. Embora digamos comumente que temos um corpo, também somos um corpo; meu corpo é meu “meio geral para ter um mundo” (Merleau-Ponty, 1962/1945: 146). As extensões das capacidades humanas em diversas tecnologias (McLuhan, 1964) são realizações coletivas que circunscrevem e incorporam o indivíduo como uma segunda natureza, conforme elaborado pela tradição da teoria do medium.

Corpos e ferramentas – o primeiro grau

Na perspectiva da história e da teoria da comunicação, os seres humanos podem ser compreendidos como mídias. O corpo humano é uma plataforma material versátil, que abriga a fala, o canto, a dança, o teatro, a pintura e as artes criativas em geral — capacidades que são cultivadas em competências tanto por crianças quanto por artistas profissionais. Em si mesmo, o corpo humano é uma condição material necessária e suficiente para a comunicação; nossos corpos se tornam mídias produtivas e receptivas por meio da socialização e da aculturação. Em comparação, as ferramentas — utensílios de escrita ou instrumentos musicais — não são nem necessárias nem suficientes, mas ampliam o corpo humano e suas capacidades comunicativas de maneiras significativas. As mídias de primeiro grau — corpos humanos e suas extensões em ferramentas — externalizam relatos de mundos reais e possíveis, permitindo que cada um de nós se comunique com os outros sobre esses mundos tanto para fins reflexivos quanto instrumentais.

A comunicação corporificada é talvez mais comumente associada à fala e à interação oral. As conversas cotidianas que unem familiares e amigos, vizinhos e colegas de trabalho, em grupos e comunidades, são essenciais para toda a vida social. A interação face a face, no entanto, abrange diversas modalidades de expressão. Encontramos outras pessoas como mídias audiovisuais e em comunicação multimodal. Nossas ferramentas e artefatos criam paisagens midiáticas mais ou menos duradouras (Appadurai, 1996). Um exemplo histórico é a chamada “música rude” (rough music), estudada pelo historiador E.P. Thompson (1991: 467-538) na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, que teve paralelos em outros países europeus e nos Estados Unidos. Se um indivíduo ou uma família ofendesse o resto da comunidade, era prática comum difamá-los e envergonhá-los por meio de cânticos, gritos de obscenidades e batidas em panelas e frigideiras. E a música rude não é totalmente coisa do passado: em 17 de abril de 2016, o Wall Street Journal noticiou que as autoridades de Mumbai, na Índia, enviaram grupos de percussionistas às casas de sonegadores de impostos para forçá-los a pagar (www.bbc.com/news/business-22772431, acesso em 15 de outubro de 2020).

A linguagem verbal, contudo, constitui uma modalidade privilegiada — em termos evolutivos, psicológicos e sociais. A linguagem transmite informações categóricas que podem ser recategorizadas — reformuladas, respondidas, reprogramadas — de maneiras que nenhuma outra modalidade consegue. Como observou o linguista Émile Benveniste (1985/1969: 236), “os signos da sociedade podem ser interpretados integralmente pelos da linguagem, mas o inverso não é verdadeiro”. A fala interpreta imagens, mas as imagens raramente interpretam a fala, exceto em experimentos estéticos ocasionais.

Durante a maior parte da história da humanidade, é claro, bardos ou contadores de histórias eram os únicos meios de comunicação disponíveis — arquivos singulares e localizados de informação e meios de transmitir uma herança cultural. A literatura sobre sociedades pré-históricas não letradas descreve as culturas orais como vinculadas ao contexto e orientadas para o presente (Goody & Watt, 1963; Ong, 1982; Scribner & Cole, 1981). Longe de rotulá-las como inferiores, as pesquisas sugerem que a oralidade primária — um estado cultural “totalmente intocado por qualquer conhecimento de escrita ou imprensa” (Ong, 1982: 11) — é incompatível com a noção de um passado histórico e de um futuro diferente. (Isso contrasta com uma oralidade secundária, que Ong [1982: 11] associou à palavra falada na radiodifusão, e com uma oralidade terciária que pode estar emergindo com as mídias digitais.) Em uma cultura oral primária, a comunicação é uma expressão e um evento em contexto, e não uma representação e um recurso que transcende contextos.

De uma perspectiva comparativa, incluo a escrita entre as mídias de primeiro grau. Certamente, os manuscritos sustentaram vastos e complexos sistemas econômicos, sociais e científicos por milênios, fixando a informação como conhecimento e facilitando a produção reflexiva de cada vez mais conhecimento. Como constituintes de práticas comunicativas, no entanto, os manuscritos dependem de fluxos de interação social em múltiplas etapas. Como as cópias são preciosas e poucas, serão distribuídas de forma extremamente seletiva a indivíduos centrais dentro de instituições estabelecidas. Tais indivíduos — sacerdotes, generais, servos alfabetizados e assim por diante — transmitirão informações ainda mais seletivas e adaptadas ao contexto, com comentários orais, dentro de hierarquias organizacionais específicas. A questão não é apenas que as hierarquias sociais podem restringir o acesso público à informação (e à alfabetização necessária) — o que notoriamente ocorreu ao longo da história. Nem se trata meramente de que a cópia de manuscritos é trabalhosa e sujeita a erros (alguns deles intencionais), o que limita o acesso a informações precisas e aplicáveis. Em vez disso, em uma cultura de escrita, a comunicação permanece uma expressão e um evento que é realizado principalmente em contextos locais por indivíduos corporificados. Mesmo um estado utópico que incentivasse e apoiasse financeiramente a alfabetização de seu povo, e a cópia manual do maior número possível de manuscritos para o maior número possível de leitores, exigiria trabalho humano em uma escala que torna inconcebível qualquer coisa que se aproxime do acesso igualitário à informação culturalmente disponível. A comunicação de massa não é uma affordance da escrita.

Em termos pragmáticos, Joshua Meyrowitz (1994: 54) observou que as formas comparativamente ineficientes de reprodução e distribuição da escrita a tornaram “uma forma cultural de transição”. A escrita à mão, naturalmente, permanece uma prática cultural importante. A escrita é parte integrante da educação e da formação; de grande parte da elaboração de textos na vida política, na administração de empresas e na pesquisa acadêmica; e da comunicação com pessoas próximas e, principalmente, consigo mesmo por meio de anotações, mesmo com as mídias digitais assumindo algumas dessas funções. Nos estudos de notícias, fez-se referência a mídias de fonte (Ericson, Baranak & Chan, 1987: 41) — entrevistas orais, anotações manuscritas, comunicados de imprensa impressos e assim por diante — que alimentam o que é noticiado nas mídias de segundo e agora terceiro graus. Como mídias de registro, no entanto, e de interação dentro e entre as principais instituições da sociedade, os indivíduos corporificados e os textos escritos foram suplantados por um segundo grau de mídia.

Tecnologias – o segundo grau

Até recentemente, era comum referir-se aos “meios de comunicação de massa” — mídias que distribuem mensagens iguais ou semelhantes de poucos emissores centrais para muitos receptores dispersos. O filósofo Walter Benjamin (1977/1936) definiu os meios de comunicação de massa em termos de sua reprodução e disseminação técnica, especificamente de obras de arte, mas com implicações também para outras práticas comunicativas. Enquanto Benjamin se concentrava na fotografia, no cinema e no rádio, considero que as mídias de segundo grau incluem as diversas tecnologias analógicas — desde livros e jornais impressos até cinema, rádio e televisão — todas as quais se configuraram como instituições e práticas de comunicação de um-para-muitos. Suas características comuns eram, primeiro, a reprodução, o armazenamento e a apresentação idênticos de um determinado conteúdo. Segundo, as mídias de segundo grau ampliaram radicalmente o potencial de disseminação e acesso à informação no espaço e no tempo, independentemente da presença e do número de participantes na comunicação.

Benjamin observou uma ambiguidade específica que surge da reprodução. Por um lado, resulta na perda do que ele denominou aura: a sensação de singularidade e, talvez, de transcendência que tradicionalmente tem sido associada às belas artes — pinturas ou esculturas, por exemplo — e a atores ou músicos em cena. Artefatos presentes e atores singulares medeiam uma realidade ausente e, portanto, parecem maiores que a vida. (Também outros seres humanos — qualquer um — como mídias de primeiro grau poderiam ser considerados portadores de uma aura, informada por suas biografias e histórias compartilhadas e apreciada por íntimos, amigos e estranhos em um encontro casual. Este, porém, não era o ponto original de Benjamin.)

Por outro lado, a reprodução técnica representou um grande avanço civilizatório. Quando as obras de arte e outros produtos culturais são dissociados de suas origens únicas, ainda que locais, passam a permitir muitos mais usos por um número muito maior de pessoas. A reprodução implica uma mudança de ênfase na compreensão da arte, da expressão singular para a comunicação social. Consequentemente, Benjamin (1977/1936: 390) concluiu que a arte não precisa mais ser subordinada a usos religiosos e outros rituais: “pela primeira vez na história mundial, a reprodução mecânica emancipa a obra de arte de sua dependência parasitária do ritual. Em grau cada vez maior, a obra de arte reproduzida torna-se a obra de arte concebida para a reprodutibilidade… a função total da arte é invertida. Em vez de se basear no ritual, passa a se basear em outra prática — a política.”

“Concebido para a reprodutibilidade”: a reprodução não é uma atividade incidental, mas planejada, com implicações estruturais. Dois exemplos clássicos — livros e jornais — ilustram esse ponto. Livros, panfletos e outros formatos impressos podem ser considerados uma condição necessária (embora não suficiente) para o Renascimento e a Reforma (Eisenstein, 1979). Os jornais, por sua vez, serviram como veículos materiais em revoluções políticas e na formação de Estados-nação (Anderson, 1991; Habermas, 1989/1962). A mídia impressa era, ao mesmo tempo, impessoal e pública, potencialmente fora do alcance dos líderes áuricos das instituições religiosas e políticas. A prensa tipográfica, portanto, facilitou a compreensão moderna da religião como uma questão pessoal e da política como uma questão pública.

Em comparação com a prensa tipográfica, as tecnologias para gravação e disseminação de som surgiram tardiamente na história da mídia, a partir da década de 1870 (para uma visão geral, ver Millard, 1995; Sterne, 2012). Pela primeira vez na história da humanidade, eventos sonoros — desde canções e outras apresentações musicais até discursos políticos e ambientes naturais — puderam ser preservados como parte do patrimônio cultural. O som tornou-se constitutivo dos principais meios de comunicação de massa do século XX: rádio, cinema (a partir de 1929) e televisão. Além disso, as tecnologias de som analógicas contribuíram para novos tipos de paisagens sonoras (soundscapes) (Schafer, 1977), tanto em espaços privados quanto públicos. Tanto em lojas quanto em locais de trabalho, um componente importante e pouco pesquisado da vida urbana tem sido a música ambiente (muzak) (ver, por exemplo, Barnes, 1988; Lanza, 1994). Em casa, as transmissões de rádio e a música gravada passaram a competir, em diferentes grupos sociais, com recitais de piano e cantos comunitários. Com vários aparelhos de rádio, televisão e estéreo por residência, ouvir música em particular tornou-se cada vez mais igual a ouvir música pessoalmente. A partir da década de 1960, o rádio a transistor tornou a música, as notícias e outros gêneros acessíveis em movimento.

Cabe ressaltar que a comunicação em múltiplas etapas permaneceu a ordem do dia nas culturas impressa e eletrônica. Em primeiro lugar, o acesso a materiais impressos em diferentes contextos históricos e culturais foi severamente limitado pelos recursos econômicos dos potenciais leitores, pelos baixos níveis de alfabetização e pelas condições de vida em geral. Em segundo lugar, a leitura como atividade comunitária — a leitura em voz alta — permaneceu uma prática cultural significativa (Boyarin, 1992). Em uma crítica e reformulação do estudo clássico de Eisenstein (1979) sobre o papel das prensas e dos livros na Reforma, Pettigree (2005) demonstrou como tanto o processo de leitura quanto o de conversão a uma nova fé eram atividades públicas que envolviam canto, pregação, teatro e imagens visuais. Além disso, os próprios leitores se tornavam escritores, adicionando comentários ou “anotações marginais” (Jackson, 2001), talvez ao lado dos comentários de outros já presentes nas margens dos livros (antecipando as tags de usuários nas mídias digitais), e tomando notas para posterior inclusão em cartas. E, no caso das audiências de radiodifusão, estudos de recepção da década de 1980 documentaram como as audiências, além de interpretar ativamente o conteúdo midiático, engajam-se coletivamente com as mídias como parte de suas práticas comunicativas em contexto (Lull, 1980; Morley, 1986; Radway, 1984). Embora as práticas comunicativas face a face e de massa, portanto, estejam interligadas há muito tempo, as mídias digitais conferiram novas formas materiais às suas conexões e redes.

Metatecnologias – o terceiro grau

O computador digital reproduz e recombina todas as mídias anteriores de representação e interação em uma única plataforma de hardware e software. No início da era dos computadores pessoais, Kay e Goldberg (1999/1977) descreveram os computadores como metamídia. Como meios de expressão, as mídias digitais combinam texto, imagem e som em alguns gêneros novos e muitos antigos, herdados das mídias de massa, bem como da interação face a face: narrativas, debates, jogos e assim por diante. Como modos de interação, as mídias digitais integram formas de comunicação um-a-um, um-a-muitos e muitos-a-muitos. Além das estações de trabalho fixas e dos computadores pessoais portáteis, os smartphones e tablets tornaram-se metamídias decisivas, servindo como pontos de acesso a outras mídias, à própria internet e a uma gama proliferante de recursos comunicativos incorporados ao cotidiano (Humphreys, Karnowski & von Pape, 2018).

Com as metatecnologias, a comunicação completou um ciclo, retornando ao tipo de intercâmbio interativo e multimodal que caracteriza os ambientes face a face. Com os telefones celulares, a fala mediada tecnologicamente tornou-se um componente muito mais proeminente da vida cotidiana, tanto na coordenação de assuntos públicos quanto privados. Os jogos de computador online, além disso, exemplificam a integração de diferentes modalidades auditivas e visuais, não apenas na representação do mundo do jogo, mas na coordenação da jogabilidade, por exemplo, por meio da interação verbal contínua entre múltiplos jogadores (Jorgensen, 2009). E a sensação de estar virtualmente presente em um mundo literalmente ausente pode se traduzir em um senso de engajamento com grandes eventos e questões. Um exemplo é o projeto Sonic Memorial, que comemora os eventos de 11 de setembro de 2001. Além de apresentar sons da vizinhança do World Trade Center, o site inclui funcionalidades interativas para que os visitantes possam “adicionar um som” (http://kitchensisters.org, acesso em 1º de novembro de 2020) (Cohen & Willis, 2004).

Cabe acrescentar que, além da adição da comunicação muitos-a-muitos às práticas comunicativas um-a-um (ou interpessoais) e um-a-muitos (ou de massa) mais tradicionais, as mídias digitais tornaram a comunicação muitos-a-um uma característica constitutiva do ambiente midiático atual. Em seu engajamento com as mídias digitais, os usuários deixam para trás rastros de bits que se acumulam e servem para estruturar comunicações futuras, com ou sem o conhecimento e consentimento dos usuários, dentro e além do medium em questão. Enquanto os humanos sempre “falaram para o ar” (Peters, 1999), cada vez mais também nos comunicamos “para dentro do sistema” (K. B. Jensen & Helles, 2017). Os metadados resultantes não são apenas características técnicas dos sistemas de comunicação digital, mas registros de atos mínimos de comunicação que contribuem para a contínua estruturação da sociedade.

As tecnologias digitais convidam a pesquisa a reorientar os estudos da mídia para a comunicação e a esclarecer a relação entre as duas categorias. Um medium material pode suportar várias práticas comunicativas diferentes (assistir e conversar sobre um longa-metragem ou um vídeo do YouTube em um tablet); algumas práticas comunicativas transitam bem entre mídias (revisar e debater as notícias do dia, alternadamente, por meio de uma estação de trabalho e um smartphone), e certas práticas clássicas voltam à moda quando novas plataformas se tornam amplamente disponíveis (como ilustrado pela escrita via sistemas de mensagens).


Caixa de Recursos 1.2: Estudos selecionados e obras de referência para mídias individuais

Livros:

  • (Vincent, 2000) – uma visão geral do desenvolvimento da alfabetização na Europa moderna, com referência a livros e outros meios de comunicação.
  • (Radway, 1984) – um estudo exemplar de romances românticos como instituições, textos e recursos cotidianos.

Jornais:

  • (Habermas, 1989/1962) – uma obra clássica sobre o desenvolvimento histórico e as funções contemporâneas da imprensa.
  • (Schudson, 1978) – uma história social da imprensa dos EUA, complementando o foco europeu de Habermas.
  • (Hallin & Mancini, 2004) – uma abordagem comparativa dos sistemas de imprensa e mídia no hemisfério ocidental (para outras perspectivas culturalmente comparativas, ver Capítulo 11 deste volume).

Cinema:

  • (Andrew, 1976) – uma introdução às teorias clássicas do cinema.
  • (Braudy & Cohen, 2016) – uma antologia de textos fundamentais nos estudos cinematográficos.

Rádio:

  • (Crisell, 2008) – uma coleção de três volumes de escritos clássicos e contemporâneos.

Televisão:

  • (Williams, 1974) – o estudo seminal que definiu a televisão (e o rádio) em termos de suas características de fluxo.
  • (Gray & Lotz, 2018) – uma visão geral das práticas industriais, gêneros e experiências de audiência da televisão.

Mídia digital:

  • (Mansell & Ang, 2015) – uma coleção de três volumes que aborda as tecnologias digitais e suas implicações sociais.
  • (Raessens & Goldstein, 2011) – um manual que aborda a história, o design e os usos sociais dos jogos de computador.

Um quarto grau

Há algum tempo, uma nova geração de mídias digitais vem sendo referida em termos de sua ubiquidade e pervasividade (para uma visão geral, ver Bunz & Meikle, 2018; Greenfield, 2006). Tecnologias da informação em toda parte, em tudo e para todos têm sido as palavras de ordem comerciais e políticas. Um aspecto desse desenvolvimento tem sido outra rodada de pesquisa e debate sobre os potenciais da inteligência artificial (Gunkel, 2020).

Embora as terminologias preferidas ainda variem, uma suposição comum é que as futuras mídias digitais se tornarão categoricamente diferentes de dispositivos separados com “interfaces” dedicadas, como estações de trabalho, laptops e smartphones. Em vez disso, a informação e a comunicação estarão arraigadas em artefatos cotidianos e infraestruturas sociais.

O idealizador da computação ubíqua, Mark Weiser (1991), contrastou ubiquidade com virtualidade. As primeiras versões de ambientes de mídia virtual durante as décadas de 1980-90 baseavam-se em um modelo de “o mundo em um medium” — uma interface local, estacionária e multimodal, incluindo óculos, luvas e uma esteira que permitia ao usuário entrar em uma realidade virtual separada (para uma visão geral, ver Levy, 1993). Em contraste, a computação ubíqua incorpora múltiplas interfaces de mídia em diversos objetos naturais e contextos sociais — “o mundo como um medium“. Esse desenvolvimento também é conhecido como o advento da “internet das coisas” (Howard, 2015; ITU, 2005). Em comparação com as interfaces gráficas de usuário que ajudaram a tornar o computador um medium popular, pesquisas têm se referido a interfaces de usuário orgânicas (Vertegaal & Poupyrev, 2008). Aqui, a metáfora básica da interface se desloca da de uma ferramenta ou extensão para a de pele ou membranas (Rekimoto, 2008: 40). Simultaneamente, os sistemas de hardware podem ir “além do silício” (Munakata, 2007) em direção a bases de computação ainda mais miniaturizadas e fisicamente integradas, por exemplo, no nível atômico. Na interseção entre hardware e seres humanos, os sistemas de suporte à vida e os implantes são exemplos de mídia como partes do corpo. No mínimo, as mídias digitais possibilitam comunicações significativamente mais dependentes da localização e personalizadas; acesso ubíquo a outros comunicadores em imagem, texto e som; e mais ações à distância, tanto no sentido físico quanto no social, de maneiras que ainda aguardam ser imaginadas e realizadas.

Em uma perspectiva futura, as mídias móveis, ubíquas e pervasivas podem exigir uma nova avaliação da relação entre os mundos material e virtual (D. Williams, 2010) — das próprias ideias de “mídia” e “comunicação”. Em que sentido os humanos se comunicam com artefatos digitalizados e com o restante da realidade material, por exemplo, por meio do Sistema de Posicionamento Global (GPS)? A ciência cognitiva descreveu a largura de banda da cognição e comunicação humanas com referência às chamadas categorias de nível básico (Lakoff & Johnson, 1999), cujo parâmetro é o corpo humano. Temos, e somos, uma estrutura neurofisiológica particular que acessa certos níveis da realidade e não outros. Temos acesso a coisas que são aproximadamente do nosso tamanho e estão ao alcance dos nossos sentidos: superfícies luminosas e música alta, mas não radiação infravermelha ou os ecos do Big Bang. As categorias de nível básico permitem aos seres humanos pensar e falar sobre o que está para cima e para baixo, dentro e fora, antes e depois, tanto literal quanto metaforicamente, em termos de quem está para cima ou para baixo em uma sociedade, dentro ou fora no que diz respeito a uma subcultura, primeiro ou segundo em uma competição esportiva ou em um leilão online. As “metáforas pelas quais vivemos” (Lakoff & Johnson, 1980), embora determinadas em primeira instância pelo corpo humano, são ampliadas em ferramentas, tecnologias e metatecnologias. Os avanços da mídia desafiam continuamente o campo a reconsiderar seus conceitos fundadores.

Informação, comunicação e ação

Hábitos linguísticos comuns apresentam a informação como um atributo de mensagens ou dados, ou como o propósito da comunicação humana — como se a informação fosse uma entidade objetiva que pudesse ser transportada de um lugar para outro, comprada ou possuída. Essa concepção é seriamente enganosa (Krippendorff, 2008b: 2213). E, no entanto, é uma concepção de senso comum do “conteúdo” da comunicação que fundamenta os mais diversos tipos de pesquisa. Além disso, as tradições de pesquisa que preferem falar do conteúdo em termos de seu “significado” tendem a abordar o objeto de estudo em termos essencialistas, perguntando: “Onde está o significado?” Em quais unidades materiais, estruturas discursivas, estados mentais ou eventos comportamentais reside o significado? Ao considerar uma questão diferente — “Quando o significado existe?” (K. B. Jensen, 1991) — os estudos podem começar a reconhecer as formas categoricamente diferentes pelas quais a informação e a comunicação se manifestam em múltiplos estágios e contextos da cognição humana e da interação social.

Os autores de modelos de comunicação geralmente concordam com os constituintes, mas discordam, muitas vezes fundamentalmente, sobre seu status e inter-relações (McQuail & Windahl, 1993). A Figura 1.1 apresenta os constituintes básicos da comunicação, a partir de uma perspectiva humanística (adaptado de Jakobson, 1960), destacando em itálico dois elementos que tendem a ser concebidos de forma diferente nos modelos humanísticos, sociocientíficos e das ciências naturais ou da engenharia. Primeiro, os modelos divergem quanto ao papel e à importância que atribuem aos códigos de comunicação, ou seja, aos registros de signos e símbolos, além dos contatos e sinais físicos. Segundo, o contexto da comunicação tem sido abordado de diversas maneiras: como um con-texto — no sentido literal de algo que é sempre já discursivo — ou como as circunstâncias amplamente sociais da comunicação, suas condições materiais e institucionais.

[Figura 1.1: Constituintes da comunicação – Um diagrama mostrando os elementos básicos da comunicação, incluindo contexto, emissor, mensagem, destinatário, contato e código]

Não surpreendentemente, diferentes faculdades definiram a comunicação em termos de seu domínio específico da realidade — sinais físicos (Shannon & Weaver, 1949), códigos discursivos (Jakobson, 1960) ou práticas sociais (Lasswell, 1948). Percebendo a complexidade da comunicação humana, os analistas introduziram metáforas e analogias para conectar domínios da realidade e faculdades acadêmicas. Um exemplo disso é o clássico comentário de Warren Weaver sobre a teoria da informação de Claude E. Shannon (1948). Nele, Weaver advertiu que “a informação não deve ser confundida com o significado” (Shannon & Weaver, 1949: 8) e que os problemas técnicos, semânticos e de eficácia da comunicação devem ser tratados como questões separadas. Contudo, perto do final do comentário, ele vislumbrou uma teoria geral da comunicação que “certamente terá que levar em conta não apenas a capacidade do canal, mas também (até as palavras estão certas!) a capacidade da audiência” (p. 27). Se essas são as palavras certas é precisamente a questão.

Informação em significado

Desde a advertência de Warren Weaver aos pesquisadores da comunicação para que não confundissem informação e significado, o campo tem se empenhado em explicitar a relação entre os dois conceitos. Em certo sentido, o significado como um todo é mais do que a soma dos itens de informação. A questão mais analítica tem sido como definir e analisar os elementos da comunicação. Quais são os graus de liberdade que se aplicam à seleção e combinação desses elementos de maneiras notavelmente flexíveis, porém distintamente padronizadas?

Na Figura 1.2 (K. B. Jensen, 1995: 50), identifico quatro concepções ideais-típicas de significado. A figura compara diferentes maneiras de operacionalizar o que a maioria das tradições de pesquisa considera as mensagens, os conteúdos ou os textos da comunicação. Por um lado, os constituintes do significado podem, ou não, ser entendidos como um inventário predefinido ou fixo. (Refiro-me aos constituintes como unidades e/ou eventos para permitir diferentes ênfases nos produtos ou nos processos da comunicação.) Por outro lado, as estruturas combinatórias podem, ou não, ser consideradas como constituindo uma gama predefinida ou fixa de tipos de mensagem — narrativas, argumentos e outros formatos genéricos.

[Figura 1.2: Quatro modelos de significado – Um diagrama mostrando modelos determinístico, estocástico, generativo e indeterminístico de significado]

Num extremo do espectro, um modelo determinista pressupõe que o resultado de inventários e estruturas predefinidos é uma configuração semelhante a uma lei do que pode ser pensado e dito pelos seres humanos. Poucos pesquisadores defenderão uma versão forte dessa posição; a comunicação representa um grau de indeterminação na experiência humana e na interação social. Não obstante, as tradições de pesquisa, em diferentes graus, observaram como as circunstâncias biológicas e tecnológicas pré-condicionam a comunicação. Em um nível biológico, as capacidades físicas e mentais constituem condições que possibilitam e também limitam a cognição e a comunicação humanas (Cappella, 1996). Em um nível tecnológico, diferentes mídias ampliam as capacidades humanas, mas de maneiras enviesadas (Innis, 1951), facilitando algumas formas de expressão e experiência em detrimento de outras.

No outro extremo do espectro sugerido pela Figura 1.2, um modelo indeterminista implica que, na prática, não existem limites para o que pode ser pensado ou dito. Uma versão forte dessa posição é encontrada no pós-estruturalismo, que sustenta que as estruturas diferenciais da informação sempre minarão qualquer fechamento em torno de significados particulares. Algumas abordagens de comunidades interpretativas (Fish, 1979), similarmente, sugerem que os textos são essencialmente vazios e abertos a projeções de significados individuais e situadas. De forma mais moderada, pode-se observar que os emissores institucionais (artistas, cineastas, compositores populares, etc.) realizam seletivamente a tradição cultural, influenciada por suas próprias biografias e contexto histórico, assim como os receptores individuais atualizam significados mais ou menos únicos em seus encontros pessoais com a mídia.

Os outros dois tipos ideais de significado são representativos das duas principais correntes do campo atual da pesquisa em mídia e comunicação, a saber, as variantes quantitativas das ciências sociais e as formas qualitativas da pesquisa humanística. O tipo estocástico, proeminente nas metodologias das ciências sociais, é tipificado pela análise de conteúdo quantitativa: “a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação” (Berelson, 1952: 18). O procedimento analítico serve para estabelecer as distribuições de probabilidade de certos veículos comunicativos ou unidades de conteúdo — palavras, proposições, imagens e assim por diante — dentro de uma amostra de mensagens. Dado, primeiro, um conjunto predefinido de unidades de conteúdo e, segundo, um conjunto de categorias analíticas para codificá-las, a questão imediata da pesquisa é como essa multiplicidade de elementos se organiza em estruturas diferenciais e relacionais. A implicação mais interessante é que tais configurações em artigos de notícias, filmes de longa-metragem e intercâmbios em mídias sociais carregam visões de mundo: seus constituintes são necessariamente seletivos e suas combinações contam certas histórias em vez de outras. Uma das principais contribuições da tradição da análise de conteúdo (Krippendorff, 2018) tem sido monitorar as representações da realidade na mídia, documentando e questionando as formas de informação mais amplamente acessíveis sobre eventos e questões públicas.

O modelo generativo de significado, por fim, surge das humanidades e é característico dos estudos qualitativos da mídia e de outros textos e discursos. A teoria literária e a estética desde o formalismo russo do início do século XX (Erlich, 1955), e a linguística desde o surgimento da gramática transformacional (Chomsky, 1965), compartilham a percepção de que um número relativamente pequeno de “estruturas profundas” gera uma imensa, até mesmo infinita, variedade de “estruturas superficiais”, tanto em frases isoladas quanto em histórias com a extensão de livros ou filmes. Como matrizes predefinidas, as estruturas profundas são, ao mesmo tempo, muito gerais e altamente adaptáveis. Consequentemente, produzem muitas variações, por exemplo, de histórias para dormir ou anúncios publicitários, cujos temas e estruturas básicas poderiam, de outra forma, ser considerados idênticos. Elas prendem a atenção de crianças e consumidores, não porque qualquer um dos grupos seja imaturo ou ingênuo, mas porque essa é a estrutura da informação significativa.

Em suma, cada tipo ideal de análise de mensagem ou discurso capta certos aspectos da informação e do significado — todos são contribuições importantes e necessárias para um campo diversificado e aplicável da pesquisa em mídia e comunicação. Professores universitários costumam lembrar seus alunos de que o rumo da pesquisa depende do quê e do porquê: os métodos apropriados de coleta e análise de dados dependem do domínio e da questão de investigação empírica dados. Somente reconhecendo toda a gama de estruturas potencialmente significativas da mídia é que a pesquisa estará em condições de analisar e avaliar seus usos e consequências.

Comunicação – entre transmissão e ritual

A questão fundamental do campo tem sido: “Quem / Diz o quê / Em qual canal / Para quem / Com que efeito?” (Lasswell, 1948). A questão poderia ter sido: Quem compartilha o quê com quem, em quais processos de interação? O sentido essencial da comunicação é compartilhar e tornar algo comum (Peters, 2008). Implícitas nessas diferentes formulações estão dois modelos de comunicação que têm sido tratados como antitéticos por mais de 40 anos.

A distinção entre um modelo de transmissão e um modelo ritual de comunicação foi destacada por James W. Carey em um artigo seminal de 1975 (1989b/1975). Segundo Carey, a corrente principal dos estudos de mídia nas ciências sociais dos EUA havia adotado como premissa um modelo de transmissão que enfatizava a transferência de informações de emissores para receptores dentro de um sistema centralizado de comunicação de massa. O pano de fundo era o papel fundamental da informação e da comunicação, e das atividades de pesquisa relacionadas, em uma infraestrutura social emergente que dependia de novos meios de regulação por meio da intensificação da vigilância e do registro de si mesma e de seus constituintes, o que Beniger (1986) denominou sociedade de controle. O impacto funcional ou disfuncional da mídia sobre os indivíduos, suas atitudes e comportamentos, foi colocado em posição de destaque na agenda de pesquisa: a violência e a propaganda veiculadas pela mídia de massa eram temidas; a publicidade de bens e serviços, em sua maior parte, era bem-vista. Uma implicação do modelo de transmissão parecia ser a de que a mídia são mecanismos de alguma forma separados da sociedade — meios para fins positivos ou negativos. A mídia pode ter efeitos, ou não.

Em contraste, o modelo ritual de Carey sugeria que os meios de comunicação necessariamente produzem efeitos: a comunicação é uma partilha de significado e uma condição da comunidade. Os rituais nunca são vazios. Retomando a tradição do pragmatismo, Carey citou o filósofo John Dewey: “A sociedade não existe apenas por transmissão, por comunicação, mas pode-se dizer justamente que existe na transmissão, na comunicação” (1989b/1975: 13f.). A comunicação, portanto, deve ser considerada um ingrediente constitutivo e um fator mediador entre a agência humana e a estrutura social: “um processo simbólico pelo qual a realidade é produzida, mantida, reparada e transformada” (p. 23). Embora a obra de Carey tenha sido mais influente nos Estados Unidos, seu modelo ritual ressoa com grande parte da erudição humanística europeia sobre os textos como veículos concretos de rituais amplamente sociais. Numa reformulação da perspectiva ritual, Newcomb e Hirsch (1983) propuseram um modelo de fórum cultural para a comunicação. Os meios de comunicação mais populares e acessíveis de uma cultura, representados pela televisão em seu artigo da década de 1980, podem ser entendidos como um fórum no sentido clássico de uma arena para articular e negociar preocupações comuns: “na cultura popular em geral, e na televisão em particular, levantar questões é tão importante quanto respondê-las” (p. 63). (Sobre a internet como um fórum cultural contemporâneo, ver K. B. Jensen & Helles, 2011.) Ainda assim, uma questão importante é quem consegue deliberar sobre as respostas e como: quem está em posição de transmitir o quê para quem no curso do processo ritual do fórum?

Embora seja fácil, como sempre, exagerar a extensão em que as novas tecnologias podem mudar as práticas antigas de comunicação, as mídias digitais sugeriram novas perspectivas sobre os conceitos de transmissão e ritual. Como outras mídias de transmissão, elas tornam a informação acessível às pessoas e as pessoas acessíveis aos provedores de informação. No jargão da publicidade, tanto as audiências de televisão quanto os usuários da internet são atraentes para interesses comerciais e políticos como “olhos”. Diferentemente das mídias anteriores, as mídias em rede permitem que uma massa crítica de pessoas se torne emissora — tanto para levantar quanto para responder a perguntas em rituais, individualmente e coletivamente, de forma síncrona e assíncrona, introduzindo novas formas de interpretação e interação. Na internet, os atores sociais constituem fontes abertas de informação uns para os outros e para o sistema midiático no qual todos se comunicam. As tecnologias digitais tornam a informação disponível e acessível em uma escala muito maior e em novas estruturas de transmissão e ritual.

As sociedades existem tanto pela transmissão quanto pelo ritual. Seja impulsionada pela mídia ou atraída pelos usuários, a informação é transmitida; os rituais motivam as transmissões. Uma tarefa atual da teoria da comunicação é conceituar as configurações mutáveis de comunicadores e mensagens e sua acessibilidade mútua em sistemas de mídia digital. A interatividade com a mídia antecipa interações entre pessoas. A comunicação é uma constelação particular de interatividade e interação.

Performatividade e interatividade

Em comparação com a transmissão e o ritual, ou a informação e o significado, as categorias de ação humana e social têm sido menos centrais para o desenvolvimento teórico no campo da pesquisa em mídia e comunicação. Ação tem sido, mais comumente, entendida como entrada ou saída de um processo de comunicação. No lado da entrada, as decisões editoriais e os marcos legislativos condicionam o que é comunicado; no lado da saída, a comunicação alimenta comportamentos discursivos e físicos. Para relacionar a mídia e a comunicação ao restante da cultura e da sociedade, é útil especificar três aspectos da relação geral entre comunicação e ação.

Em primeiro lugar, todas as ações humanas podem ser consideradas comunicações por si só. Podem ser declarações intencionais, comportamentos incidentais aos quais outros atribuem significado, ou podem pertencer à considerável área cinzenta entre os dois. No extremo intencional da escala, os ataques terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 foram, em certo sentido, atos de comunicação — a perda de vidas e a destruição material realizaram um propósito simbólico. Em direção ao extremo incidental, comunicamo-nos continuamente uns com os outros através de roupas e outras aparências visuais, sons corporais e conduta geral. De fato, qualquer objeto, evento ou ação no mundo pode ser considerado um medium de comunicação, porque os seres humanos estão sempre atribuindo significado aos seus ambientes culturais e naturais (Ruesch & Bateson, 1987/1951: 6). Nesse sentido, os humanos “não podem não comunicar” (Watzlawick, Beavin & Jackson, 1967: 49).

Em segundo lugar, toda comunicação é uma forma de ação; ocorre em um contexto e com um propósito. Dizer algo significa fazer algo. Essa foi a principal ideia da teoria dos atos de fala (Austin, 1962; Searle, 1969). Falar com outras pessoas sobre o tempo, conhecidos em comum ou eventos recentes é uma forma de manter e modificar as relações sociais. Essa concepção performativa da linguagem influenciou profundamente as ciências humanas e sociais contemporâneas. Elas se baseiam no filósofo Ludwig Wittgenstein (1953), que passou a compreender a linguagem não como um reflexo da realidade, mas como um conjunto de jogos de linguagem ou discursos que, na terminologia de Carey (1989b/1975: 23), produzem, mantêm, reparam e transformam a realidade. Os jogos de linguagem são jogados a sério e incessantemente, e são inseparáveis das formas de vida, ou práticas sociais, que eles servem para constituir. Numa formulação pragmatista clássica, “se os homens definem as situações como reais, elas são reais em suas consequências” (Thomas & Thomas, 1928: 572).

Em terceiro lugar, a comunicação antecipa a ação. A comunicação é uma forma de ação autorreflexiva e recursiva: ela aborda ações que comunicam e comunicações que realizam. A comunicação explora as relações entre o que é e o que poderia ser — o que tem sido referido, em diversos campos de estudo, como mundos possíveis. Muitas realidades diferentes são concebíveis, como exemplificado pela ficção científica e pela chamada historiografia contrafactual, que descreve o que poderia ter acontecido se eventos históricos importantes tivessem tomado um rumo diferente (Hawthorn, 1991), por exemplo, se a Alemanha nazista tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial. No entanto, apenas algumas dessas realidades são possíveis em um sentido material ou lógico, como examinado pela lógica filosófica (Divers, 2002) e pela teoria literária (Ryan, 1991). Para a teoria da comunicação, uma descrição particularmente interessante dessas múltiplas realidades veio do filósofo e teórico da ciência Karl Popper, que contou três mundos. O Mundo 1 refere-se ao domínio dos objetos ou estados físicos; o Mundo 2 é o mundo da consciência, dos estados mentais ou das disposições comportamentais para agir. Ao interligar esses mundos “externo” e “interno”, o Mundo 3 abrange “o mundo dos conteúdos objetivos do pensamento”, sejam eles científicos ou poéticos (Popper, 1972b: 106). Como moeda de troca comunicativa, o Mundo 3 inclui relatos ficcionais, normativos e outros relatos contestáveis da realidade em toda a gama de mídias.

Na confluência da lógica filosófica tradicional e das tecnologias modernas, o computador digital redirecionou a atenção para o tempo como fator condicionante do que vem a ser conhecido em primeiro lugar. “A lógica proposicional só pode descrever estados do ser. A adição do tempo a ela criou algoritmos — etapas procedimentais — que podem descrever processos de devir”, o que significa que “qualquer coisa que possa ser declarada logicamente pode ser convertida em um algoritmo e, portanto, torna-se computável” (Krippendorff, 2008a: 1156). Ao adicionar o tempo à lógica, a computação serviu para produzir não apenas novas quantidades de informação, mas maneiras qualitativamente diferentes de apresentar e interagir com a realidade, por exemplo, na física atômica e na genética. O conhecimento atual da realidade subatômica e do genoma humano — e as ações sobre ambos — seriam inconcebíveis sem os computadores digitais.

Assim como um algoritmo, a comunicação humana se desenrola ao longo do tempo. Diferentemente dos algoritmos, as interações comunicativas geralmente não estão sujeitas a uma perspectiva ou procedimento central, nem a uma lógica comum. Todos os computadores na grade da internet não conseguem calcular os prós e os contras de um possível projeto para o futuro da internet e chegar a uma conclusão. Os mundos possíveis da comunicação emergem também no espaço e por meio da intervenção de atores sociais distribuídos — por meio da interatividade. O conceito de interatividade ajuda a esclarecer a relação entre comunicação e ação, não apenas no caso das mídias digitais.

Interatividade e/vs. interação

Atualmente associada à computação, a ideia de interatividade deriva do conceito sociológico de interação entre sujeitos — presencialmente, mas também indiretamente em vários níveis da estrutura social. Parlamentos e bolsas de valores interagem. Basicamente, sugere-se uma analogia entre as interações humano-humano e humano-máquina.

Originária da era do processamento em lote, quando a equipe técnica podia verificar os resultados preliminares de uma execução em um computador mainframe e, em seguida, modificá-los no chamado modo interativo (J. F. Jensen, 1999: 168), a interatividade passou a se referir à maneira como os usuários comuns operam computadores de forma sequencial e estruturada (para uma visão geral, ver Kiousis, 2002; McMillan, 2002). Ao ser importada para a pesquisa em mídia e comunicação, a terminologia tornou-se ambígua: o campo buscou explicar tanto a interatividade das pessoas com a mídia quanto a interação entre elas por meio dela. A comunicação é essa forma singular de interação pela qual os atores humanos negociam sua estrutura social comum, o que ela poderia ser e deveria ser, dependendo da mídia à sua disposição.

É útil contextualizar a interatividade e a interação com outros dois conceitos-chave da teoria social: agência e estrutura (Giddens, 1984). A Figura 1.3 sugere a interdependência entre medium, agência e estrutura: trato a categoria de medium em pé de igualdade com agência e estrutura, como um constituinte de toda interação social, incluindo o contato face a face, bem como o contato mediado por tecnologia, e como parte de uma configuração tridimensional. A figura reenfatiza a interdependência das três dimensões da interação social e o aspecto comunicativo de cada uma delas.

[Figura 1.3: Três tipos de interatividade – Um diagrama mostrando a interatividade com o medium, a agência e a estrutura]

A Dimensão 1 é o que os cientistas da computação (e, posteriormente, os usuários comuns de computador) denominaram interatividade: clicar em um link da web, inserir uma mensagem em uma plataforma de mídia social, ou “atirar no inimigo” em um jogo de computador. Aqui, a interatividade equivale à seleção contínua de opções dentro de um conjunto predefinido. Ela corresponde, em aspectos estruturais importantes, à alternância de turnos em uma conversa comum (Sacks, Schegloff & Jefferson, 1974). Os meios de comunicação de massa, como tradicionalmente entendidos, ofereciam interatividade mais limitada nesse sentido: selecionar uma estação de rádio, consultar a seção de esportes de um jornal e verificar antecipadamente “quem matou” na última página de um romance policial. Todas as mídias, contudo, exigem medidas de navegação, atenção e interpretação por parte de seus usuários para acessar as informações disponíveis.

A Dimensão 2, a seguir, refere-se à relação entre as mídias e outras instituições dentro da estrutura social. Dependendo da perspectiva teórica e do gênero comunicativo em questão, pode-se dizer que a mídia desempenha o papel de cão de guarda ou Quarto Poder (Cater, 1959) em relação aos poderes constituídos. Em um sentido mais amplo, as mídias constituem um fórum cultural (Newcomb & Hirsch, 1983) no qual sistemas sociais alternativos e mundos inteiramente outros, ficcionais ou futuros, podem ser articulados. De uma perspectiva histórica e intercultural, uma questão central de pesquisa é se e como as tecnologias disponíveis foram moldadas em mídias com tais potenciais reflexivos e empoderadores.

A Dimensão 3, por fim, aborda a relação entre a estrutura social e seus atores e interesses constituintes, desde o cidadão individual até os estabelecimentos políticos nacionais e as corporações globais. A miríade de atores que compõem a sociedade interage à distância e ao longo do tempo; a comunicação orienta e dá sentido ao processo, proporcionando uma noção de como ações singulares podem se encaixar em um todo maior. O exemplo clássico é o envolvimento dos cidadãos na democracia política, em partidos e movimentos populares por meio da mídia da esfera pública. Um exemplo mais recente é a telemedicina: médicos interagindo, diagnosticando e tratando pacientes em consultas virtuais privadas. Tanto o corpo humano quanto o corpo político dependem da comunicação para se reproduzir e se modificar.

Instituições para pensar

Como parte de uma perspectiva antropológica sobre como os membros de uma cultura se comunicam, Claude Lévi-Strauss referiu-se a objetos-para-pensar. Especialmente os animais que fazem parte da dieta cultural podem se tornar meios de classificação e, portanto, de compreensão da realidade. Não se trata tanto de serem “bons para comer”, mas sim de serem “bons para pensar (com)” (Lévi-Strauss, 1991/1962: 89). Em uma cultura diferente, o mesmo animal ou objeto natural pode significar algo diferente; pode ser preparado de maneira diferente; ou pode não ser considerado bom para comer ou para pensar. Artefatos — de ferramentas de pedra a pinturas a óleo — também servem como tokens mais ou menos programáveis de intercâmbio significativo. Nas sociedades modernas, as mídias são os mais importantes meta-objetos-para-pensar: infraestruturas materiais e discursivas complexas (Douglas, 1987) — altamente diferenciadas e amplamente distribuídas — que possibilitam a reflexão e a interação através do espaço e do tempo. Culturas e sociedades programam suas mídias, que, por sua vez, as programam.

As mídias são um tipo singular de instituição para pensar. Em comparação com outras instituições de análise e reflexão — ciências, artes, religiões — as mídias são, em um sentido positivo, os mais baixos denominadores comuns da cultura e da sociedade. Elas não exigem habilidades ou talentos especializados de natureza científica ou artística para que a interação e a deliberação ocorram. Tampouco pressupõem a existência de mundos possíveis transcendentes aos quais apenas certos textos, indivíduos ou procedimentos privilegiados fornecem acesso. As mídias dirigem-se e envolvem qualquer pessoa como alguém (Scannell, 2000) na comunicação sobre os fins e os meios da sociedade, cada vez mais através do tempo e do espaço.

O modelo de esfera pública de Habermas (Figura 1.4) continua a oferecer uma estrutura valiosa para examinar a relação entre as mídias e outras instituições sociais — como parte de um sistema de esferas interconectadas, porém relativamente autônomas (para revisão e discussão, ver Calhoun, 1992; Mortensen, 1977; Negt & Kluge, 1993/1972). A figura mostra, à direita, as agências estatais que estabelecem e impõem as condições materiais, legais e outras condições infraestruturais da interação social, recorrendo, em última instância, ao seu monopólio sobre o uso da força física. À esquerda, a atividade econômica privada se desenvolve na esfera social, enquanto a esfera íntima representa o domínio da vida pessoal e familiar. O elemento mediador de todo o sistema é a esfera pública, que compreende as principais instituições políticas e culturais para pensar, incluindo a imprensa como Quarto Poder. Embora isso seja comumente negligenciado na literatura secundária sobre Habermas, a esfera pública possui dois componentes: um político e outro cultural. Habermas demonstrou como a esfera pública cultural de periódicos e salões literários serviu, em parte, como precursora e campo de treinamento para a deliberação e o debate político em um sentido contemporâneo. Em sua forma consolidada, a esfera pública passou a abordar duas agendas relativamente separadas por meio de diferentes gêneros: grosseiramente, as questões “individuais” da cultura e das artes por meio da ficção e as questões “coletivas” da política e da economia por meio de gêneros factuais.

[Figura 1.4: O modelo da esfera pública – Um diagrama mostrando as inter-relações entre a esfera privada, a esfera pública e o Estado, incluindo a esfera íntima, a esfera pública cultural, a esfera social, a esfera pública política e as agências estatais]

Historicamente, a esfera pública desempenhou uma função proativa na afirmação dos direitos econômicos e políticos dos indivíduos em seu confronto com uma ordem feudal. Uma vez estabelecida, a esfera pública também adquiriu uma função reativa, negociando os termos da cooperação entre os cidadãos e entre os cidadãos privados e o Estado. O modelo, portanto, representa uma construção dual — uma realidade concreta e também imaginada de estrutura e agência. Por um lado, o modelo da esfera pública situa as mídias em um mapa estrutural da sociedade juntamente com outras instituições: mercados, parlamentos e agências estatais são todos reais e eficazes. A questão, tanto conceitual quanto normativamente, tem sido a natureza exata das inter-relações entre essas instituições. Por outro lado, o modelo da esfera pública representa um plano de ação — não é um organograma neutro nem um simples exemplo de falsa consciência. Como o modelo da esfera pública informa as interações da vida cotidiana, ele é reproduzido, para o bem ou para o mal, como senso comum ou hegemonia (Gramsci, 1971) — “um senso de realidade absoluta experimentada além da qual é muito difícil para a maioria dos membros da sociedade se mover, na maioria das áreas de suas vidas” (R. Williams, 1977: 110).

Os últimos dois séculos testemunharam uma disputa, primeiro, ao longo da dimensão horizontal das esferas privada, pública e estatal da atividade social e, mais recentemente, também ao longo de sua dimensão vertical. Na dimensão horizontal, a questão clássica, em diferentes contextos nacionais e culturais, tem sido o equilíbrio entre os meios de comunicação orientados pelo mercado e os administrados publicamente: uma imprensa privada; radiodifusão de serviço público; e uma internet ancorada de diversas formas em organizações e interesses militares, científicos e comerciais (Abbate, 1999).

Ao longo da dimensão vertical do modelo de esfera pública, as formas de agência comunicativa em rede desafiam três fronteiras distintas. Primeiro, na junção da esfera social (negócios) e da esfera íntima (vida pessoal e familiar), novas formas de produção material e imaterial têm emergido. Benkler (2006: 3), por exemplo, sugeriu que os modos de produção predominantes foram afetados pela combinação de uma economia global, a ampla disponibilidade de tecnologias de comunicação baratas e a proliferação de redes de colaboração, exemplificadas pelo microtrabalho: uma divisão do trabalho em tarefas mínimas que podem ser compradas e vendidas na internet (Irani, 2015). Em críticas anteriores ao modelo de Habermas, estudiosas feministas observaram uma tendência não apenas a ignorar a exclusão de fato das mulheres da esfera pública desde o início, mas também a colocar entre parênteses o trabalho realizado em casa, esmagadoramente por mulheres (Fraser, 1992). As mídias digitais reabriram os debates sobre a definição, organização e controle do trabalho humano.

Em segundo lugar, a fronteira entre as esferas públicas política e cultural foi questionada desde o início e parece cada vez mais permeável. Como exemplo, os usuários podem abordar gêneros de comédia como The Daily Show (www.cc.com/shows/, acesso em 1º de novembro de 2020) em pé de igualdade com outras fontes de notícias (Feldman, 2007). Uma análise comparativa de conteúdo do The Daily Show e dos telejornais das redes americanas, aliás, constatou que a substância dos dois tipos de programa em relação à campanha eleitoral presidencial de 2004 era a mesma (Fox, Koloen & Sahin, 2007). Em uma esfera pública em rede, essa interligação de temas é acelerada e articulada como parte de agendas e modos de endereçamento comparáveis. As empresas buscam fortalecer sua legitimidade dirigindo-se ao público em geral não apenas como clientes, mas também como cidadãos, por meio da responsabilidade social corporativa, da contabilidade ética e de iniciativas ecológicas. Os órgãos estatais justificam-se perante o público com a linguagem do atendimento ao cliente. Partidos políticos e organizações não governamentais (ONGs) precisam construir e manter bases de apoio cujos membros se concebam numa mistura de identidades econômicas, culturais e étnicas. E, pelo menos algumas audiências, algumas vezes, atuam tanto como emissoras quanto como receptoras de informação sobre a definição de questões “políticas” e “culturais”.

A terceira coluna do modelo de esfera pública — o Estado (nação) — permanece, em grande parte, firmemente estabelecida. O sistema de Estados-nação foi inaugurado pela Paz de Vestfália de 1648 e implementado de diversas maneiras ao longo dos séculos seguintes. Um sistema econômico mundial começou a tomar forma já no século XVI, inicialmente centrado na Europa Ocidental. Contudo, diferentemente de outros sistemas históricos semelhantes — por exemplo, no Oriente Médio e na China — essa infraestrutura econômica não se desenvolveu em um império ou entidade política (Wallerstein, 1974: 348). As nações tomaram forma como unidades geográficas delimitadas e formações culturais — comunidades imaginadas (Anderson, 1991) — sustentadas por jornais e romances, bem como por mapas, museus e censos. Com a intensificação da globalização da economia e da política nas últimas décadas, os Estados-nação estabelecem alianças transnacionais, como a União Europeia (UE), e negociam sua coexistência em assembleias, tribunais e agências dentro e fora das Nações Unidas. Durante o mesmo período, as organizações da sociedade civil reafirmaram-se como um terceiro setor da atividade política, econômica e cultural, para além dos Estados e dos mercados (para uma visão geral, ver Edwards, 2014). Uma esfera pública transnacional, no entanto, ainda não emergiu (Fraser, 2007).

Sumário do Handbook

Handbook está dividido em três partes, que abrangem a história da pesquisa em mídia e comunicação em diferentes disciplinas e tradições teóricas; uma sistemática de estudos teóricos e empíricos que abordam os vários estágios, contextos e consequências da comunicação humana; e a prática de planejar, conduzir e aplicar pesquisas, bem como seus achados e percepções, em (outras) ações sociais. A Figura 1.5 apresenta esses elementos, com referência ao escopo e foco de cada parte, destacando também uma premissa fundamental de cada seção. Ao longo do volume, as metodologias recebem atenção especial, pois englobam tanto as justificativas teóricas quanto os procedimentos analíticos de diversas maneiras de “fazer” pesquisa em mídia e comunicação.

[Figura 1.5: Uma anatomia da pesquisa em mídia e comunicação – Um diagrama mostrando as relações entre história, sistemática e prática]

A Parte I — História traça as principais fontes da ciência e da erudição que informaram e moldaram a pesquisa em mídia e comunicação. Embora observe as raízes do campo, desde a retórica clássica até a sociologia moderna, os dois capítulos que examinam as humanidades e as ciências sociais, respectivamente — concentram-se em concepções contemporâneas de ideias-chave como cultura e comunicação, interpretação e interação. Uma convergência, particularmente das perspectivas sociocientíficas e humanísticas, tem ocorrido desde a década de 1980. Embora esse desenvolvimento, indiscutivelmente, tenha fortalecido tanto a qualidade acadêmica quanto a relevância social do campo, os colaboradores da Parte I também observam alguns dos desafios e problemas da prática da convergência.

A Parte II — Sistemática passa de uma visão diacrônica para uma visão sincrônica de diferentes tradições ou “escolas” de pesquisa. De uma perspectiva sistemática, elas representam conceituações distintas dos vários estágios, níveis e contextos da comunicação. Embora algumas tradições sejam claramente incompatíveis — em suas metodologias, epistemologias ou políticas —, podem ser examinadas, de uma meta-perspectiva, como perspectivas complementares sobre questões semelhantes, às vezes se sobrepondo de maneiras não reconhecidas. Uma questão controversa tem sido o grau em que fatores tecnológicos, econômicos e outros fatores sociais podem ser considerados determinantes da estrutura da mídia e do processo de comunicação. Seguindo Hall (1983), que falou de determinação em primeira instância, os capítulos, de várias maneiras, revisam como as condições tecnológicas, institucionais e discursivas tanto possibilitam quanto restringem a comunicação: elas determinam negativamente o que não pode acontecer, mas não podem prever positivamente o que acontecerá.

A Parte III — Prática apresenta e ilustra projetos de pesquisa qualitativos, quantitativos e multimétodo. Além de capítulos separados sobre o processo de pesquisa qualitativo e quantitativo, um capítulo explora a relação entre diferentes metodologias — a natureza e os limites da complementaridade. Outro capítulo aborda contribuições recentes para o estudo da mídia e da comunicação por meio de formas distintamente digitais de dados. Abordando várias práticas midiáticas e comunicativas, três capítulos detalham e ilustram as etapas de um processo de pesquisa por meio de casos empíricos — desde a articulação e conceituação das questões de pesquisa, passando pela coleta e análise de dados, até as interpretações e inferências. Em conjunto, os capítulos da Parte III começam a sugerir como uma unificação da área poderia ocorrer não em um primeiro momento, por meio de uma padronização de procedimentos de pesquisa elementares, mas em um último momento, por meio de uma aplicação e comparação aberta de múltiplas metodologias. O capítulo final discute a pesquisa como uma prática social e comunicativa por si só, retomando os antecedentes intelectuais e as motivações políticas do campo: as teorias normativas clássicas da imprensa, as questões políticas contemporâneas e os usos instrumentais da pesquisa em comunicação nos processos de planejamento e mudança social.


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