If It’s Purple, Someone’s Gonna Die, de Patti Bellantoni (excertos)

Tradução do excertos do livro: BELLANTONI, Patti. If It’s Purple, Someone’s Gonna Die: The Power of Color in Visual Storytelling. Burlington, MA: Focal Press, 2005.
Tradução de Álvaro André Zeini Cruz.

Backstory

O INÍCIO

A gênese deste livro remonta a um dia há mais de vinte anos, na School of Visual Arts em Nova York, quando observei que meus alunos de design faziam escolhas arbitrárias de cor em seus trabalhos. Para investigar as possibilidades conceituais necessárias para fundamentar suas decisões cromáticas, pedi que trouxessem para a aula o que consideravam “Vermelho”. Não houve mais instruções nem discussão.

No dia da aula marcada, os alunos apareceram vestidos de vermelho e, previsivelmente, trouxeram amostras de tinta e paletas de cores, além de papéis de embrulho e tecidos. Eles até inundaram a sala com luz vermelha. No entanto, também chegaram coisas que ninguém havia antecipado: pimentas, pomadas musculares que causavam sensação de calor na pele, carrinhos de bombeiros de brinquedo com luzes piscantes e sirenes, balas de canela picantes e música rock’n’roll. O que todos vivenciaram naquele dia mudou para sempre nossa percepção de como vemos as cores.

Percebemos que havia um comportamento “Vermelho” em curso. Os alunos devoravam salsa, falavam mais alto e aumentavam o volume do rock. Os rapazes, em particular, ficaram suados e agitados. (Um ano depois, no Dia do Vermelho, tive que intervir numa briga de gritos entre dois jovens que normalmente eram grandes amigos.) Após vinte minutos no ambiente vermelho, os alunos estavam prontos para ir embora. O que tinha acontecido? Todos concordaram em repetir o experimento na semana seguinte, com uma cor diferente. Escolheram o azul.

À medida que a notícia do experimento se espalhava, alunos de outras disciplinas pediram para participar e vieram para a aula. A turma, com cerca de vinte e cinco pessoas, dividiu-se em vários grupos. Havia apenas uma regra: os conceitos e as decisões deveriam ser mantidos dentro dos limites de cada grupo até o Dia da Cor.

O Dia do Azul confirmou que estávamos no caminho certo. Desta vez, o que os alunos trouxeram foi completamente diferente. Havia grandes travesseiros azul-claros, balas de menta refrescantes e música new age. Em poucos minutos, aqueles alunos barulhentos e exuberantes da semana anterior pararam de falar, recostaram-se e ficaram quase letárgicos. Uma sensação de calma permeou a sala. Ao contrário de saírem correndo pela porta, como haviam feito antes, eles não queriam se mover. Claramente, o que quer que estivesse acontecendo precisava ser explorado mais a fundo.

No ano seguinte, incorporei esse experimento ao meu currículo e tornei o projeto mais específico. A turma deveria escolher uma cor e, em seguida, construir um ambiente que explorasse a associação dessa cor com os cinco sentidos. Os alunos se dividiram em quatro grupos, cada um com quatro ou cinco membros. Eles foram incentivados a não revelar seus planos fora do grupo, para que suas soluções para a tarefa permanecessem em segredo até o Dia da Cor.

Quando a tarefa se tornou mais específica, as soluções se tornaram mais reveladoras. À medida que os alunos começaram a explorar os sons, sabores, cheiros, texturas e, claro, a “visão” de uma cor, descobriram, por exemplo, que o que cheira, tem certa textura ou sabor associado a uma determinada cor pode não ser daquela cor (por exemplo, morangos não têm gosto de vermelho). Por causa disso, os alunos começaram a vendar os olhos uns dos outros durante suas explorações do cheiro, tato e sabor da cor. Embora seus ambientes estivessem repletos da cor, não poder ver o que estavam cheirando, tocando ou provando durante aqueles poucos minutos os levou a uma percepção aguçada de suas respostas viscerais. Isso também os libertou para buscar associações sensoriais além da visão, o que, por sua vez, lhes proporcionou uma compreensão mais profunda do efeito daquela cor em sua percepção. Além disso, inspirou os alunos a irem além do superficial. Se o sabor do vermelho, por exemplo, inspirou os alunos a trazer alho branco cru em vez de morangos vermelhos, então há mais a se considerar do que a observação superficial. Por exemplo, a canela foi consistentemente percebida como tendo sabor vermelho, mas os paus de canela são marrons em seu estado natural. No entanto, as balas com sabor de canela chamadas “Red Hots” são coloridas artificialmente de vermelho. Da mesma forma, balas de menta e pastilhas para tosse coloridas artificialmente são frequentemente azuis — uma decisão que parece ser baseada na aparência do sabor da menta. Pareceu-nos que os profissionais de marketing de produto estavam explorando algo que nossa pesquisa validou.

Durante esse período de vinte e cinco anos, padrões nas soluções para os problemas de cor começaram a surgir. Em nossos experimentos, ambientes vermelhos quase sempre incluíam o sabor de pimentas jalapeño, o cheiro de molho picante e a sensação de pomada muscular termogênica. Havia sons de pistolas de espoleta e daquelas bolinhas vermelhas de pólvora que fazem barulhos estridentes ao cair no chão. Um dos sons mais vermelhos que já ouvi foi o de um chicote que estalava como um trovão dentro de um tímpano. A cor, de fato, frequentemente inspirava comportamentos barulhentos, compulsivos e agressivos.

O texto a seguir, escrito pelo ex-aluno da SVA Peter Coleman, é uma resposta ao meu pedido para escrever um artigo sobre o Dia do Vermelho. Comentários como esses surgiam ano após ano:

“É importante notar que eu não sou uma pessoa ‘vermelha’. Se tivesse que chutar, diria que sou mais azul… violeta, talvez. Mas não vermelho. Definitivamente não vermelho. O que torna tudo ainda mais peculiar é que eu fiz campanha tão veementemente a favor da cor em primeiro lugar. (Nota do autor: Os alunos selecionavam a cor a ser explorada por maioria de votos.) No processo de campanha pelo ‘Vermelho’, tornei-me mais barulhento, mais agressivo e, em suma, uma versão maior, mais caricata e desagradável de mim mesmo, desafiando meus colegas a ‘ignorarem o azarão’ (qualquer cor que não fosse o vermelho) e a se perguntarem se teriam ‘a coragem’ para escolher o vermelho. De fato, precisei de mais coragem para escolher essa cor do que imaginava.”

Após a “Experiência Vermelha”, Coleman continua:

“Em algum lugar entre o erótico e o ridículo reside a explicação para nosso comportamento demoníaco e bizarro no Dia do Vermelho. O vermelho vem na sua direção. Está na sua cara. Esse elemento da cor parecia possuir o grupo. Eu me alimentava da adrenalina criada pelas reações dos participantes… Um calor parecia estar se formando na sala, e acho que simplesmente me deixei levar.”

O que começou como um simples experimento se tornou a revelação de uma força muito mais poderosa do que havíamos imaginado ou realmente notado. A letargia do Dia do Azul e a atmosfera sobrenatural do Dia do Roxo, descrita a seguir, reforçaram minha crença de que a cor influencia nossas escolhas, nossas opiniões e nosso estado emocional. Nossos sentimentos de euforia ou raiva, calma ou agitação podem ser intensificados ou atenuados pelas cores em nosso ambiente. Essa é uma informação poderosa nas mãos de um cineasta.

POR QUE ESTE TÍTULO?

Talvez seja um reflexo da nossa época — de vivermos à beira do inexplicável —, mas a cada semestre pelo menos uma turma optava por investigar o roxo, uma cor frequentemente associada ao místico e ao não corpóreo. A cor ressoava com os alunos de maneiras consistentes. Os projetos para seus ambientes frequentemente abordavam rituais, magia e espiritualidade. Todos os anos, pelo menos um grupo construía um altar.

Eu esperava uma interpretação da cor roxa associada à realeza, mas, curiosamente, as interpretações que ligavam a cor roxa à realeza foram superadas pelas interpretações místicas, espirituais e paranormais por uma proporção de aproximadamente dez para um. A associação com a realeza e o régio vem do fato de que o roxo é a cor mais difícil de se encontrar na natureza. Sua própria raridade o associa aos adornos raros de imperadores, reis e rainhas.

Mas altares pertencem a um gênero completamente diferente. Altares estão no domínio de algo além do material. Os altares que os alunos projetaram para a cor roxa frequentemente usavam associações religiosas como ponto de partida. Havia até altares para chocolate (um sabor que, descobrimos, eles associavam à cor) e para o aroma de lavanda. Havia videntes, cartomantes e curandeiros. As interpretações mais comuns do roxo, no entanto, estavam relacionadas a vigílias, velórios e funerais. Um funeral chegou a ter uma lápide para cada membro da turma.

Esses experimentos nos levaram a perceber melhor o uso do roxo na cultura popular em geral (anúncios de ioga costumam ser roxos) e, claro, o uso do roxo no cinema.

Filmes tão diversos como CabaretDick Tracy e O Sexto Sentido usam o roxo para prenunciar a morte. O roxo, no entanto, nem sempre sinaliza a morte literal de alguém. Pode significar que algo vai morrer. Por exemplo, Max Fisher, o adolescente rebelde em Três é demais, sobe uma escada até o quarto roxo de sua professora, apenas para perder a ilusão de que dormirá com ela. Em Tootsie, a personagem de Dustin Hoffman, Dorothy Michaels, veste roxo quando revela sua verdadeira identidade como homem, “matando” assim Dorothy.

Tanto colegas quanto alunos me disseram que não tinham percebido com que frequência o título If It’s Purple, Someone’s Gonna Die (Se É Roxo, Alguém Vai Morrer) se manifesta nos filmes. Investigue você mesmo. Da próxima vez que vir roxo em um filme, observe atentamente o que ele revela. Comece com Longe do Paraíso ou até mesmo Chicago.

De mais de uma dúzia de títulos potenciais para o livro, meus alunos escolheram Se É Roxo, Alguém Vai Morrer porque sentiram que esse título capturava tanto o espírito quanto o conteúdo dos meus seminários sobre cor em Narrativa Visual no AFI.

A LINGUAGEM DO LIVRO

Vocês perceberão que costumo atribuir características a uma cor. Para mim, depois de anos de pesquisa, as cores de fato têm personalidades distintas. Por exemplo, vermelhos quentes são “ardentes”. Isso não significa que a cor em si tenha essa propriedade emocional inerente. Significa que ela pode provocar essa resposta física e emocional no público. Tanto a colcha de Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado quanto a de Nicolas Cage em Feitiço da Lua são de um vermelho-alaranjado quente, e certamente acompanharam atividades ardentes nesses filmes. Isso significa que esse vermelho específico se restringe a atividades ardentes? Não, mas é uma descrição válida de uma das atividades que a cor pode desencadear. Uma cor forte provoca uma forte resposta visceral. Isso, por sua vez, pode preparar o público para antecipar uma ação específica (neste caso, uma ação ardente).

As cores, de fato, têm sua própria linguagem, que pode ajudar visualmente a definir o arco de um personagem ou a estruturar uma narrativa. Em Malcolm X, por exemplo, o vermelho vibrante que chama a atenção é a cor que define os anos de arrogância e delinquência de Malcolm; o azul, os anos contemplativos na prisão; e o dourado, seu período de iluminação em Meca. Cada uma dessas cores compõe a jornada desse homem e tem um efeito diferente (e cumulativo) sobre o público. O vermelho energiza, o azul influencia a introspecção e a luz dourada inspira o espiritual ou o iluminado. Wynn Thomas, diretor de produção de Malcolm X, descreve como idealizou o filme em três atos, cada um definido por uma cor específica.

POR QUE O TERMO “ROXO”?

Durante anos, aconselhei meus alunos a usar o termo “violeta” para definir a cor intermediária entre o vermelho e o azul (no sistema aditivo). Mas a palavra “roxo” continuou a se infiltrar em nosso vocabulário cotidiano, especialmente na comunicação de nomes de cores no mundo comercial. De fato, um comunicado de imprensa de 1992 da Pantone, Inc. (um sistema de cores para designers e gráficas) se refere ao roxo como “uma mistura da vibração do vermelho e da tranquilidade do azul”. A palavra “roxo” neste livro é usada nesse contexto. Para facilitar a comunicação, escolhi termos para as cores que sejam mais consistentes com nossas experiências diárias: vermelho, amarelo, azul, laranja, verde e roxo.

COMO O LIVRO ESTÁ ORGANIZADO

O livro está dividido em seis partes, uma para cada uma dessas cores principais do espectro: Vermelho, Amarelo, Azul, Laranja, Verde e Roxo. Cada parte possui uma página inicial, que descreve as influências emocionais e psicológicas que descobrimos sobre a cor, e contém dois capítulos, cada um explorando filmes que melhor ilustram essas influências. Nestes capítulos, a cor é dividida em seis características que ajudam a influenciar nossas respostas emocionais aos filmes.

Alguns filmes usam a transformação de uma cor, ou seu fluxo, para apoiar a evolução dos personagens e da história ao longo do filme. Outros têm uma cena brilhante que captura o papel de uma cor na definição de um personagem ou na expansão da história. Consequentemente, alguns capítulos são mais longos do que outros. Se mais de uma cor for explorada em um filme, o filme será listado sob a cor que exerce a maior influência na história, e as outras cores serão identificadas por ícones de “cor secundária” na margem da página. Além disso, ícones de “referência cruzada” aparecerão nas margens das páginas dos filmes em que a mesma cor aparece. Observe que, como meus comentários sobre os filmes seguem a ordem do roteiro, às vezes uma cor secundária pode preceder a cor principal no filme.

Os filmes são indexados por título, cor e estado emocional, permitindo fácil acesso a uma ampla gama de informações. Ou, guiado pelo momento, o livro pode ser lido a partir de qualquer ponto.

POR QUE ESTES FILMES?

Se É Roxo, Alguém Vai Morrer explora filmes de grandes estúdios e filmes independentes de lançamento limitado, vencedores do Oscar e filmes que na época foram rejeitados pela crítica e só agora estão sendo revisitados. Cada um dos filmes foi escolhido por ilustrar um uso brilhante da cor, seja em apenas uma cena ou sequência crucial, seja tematicamente ao longo de todo o filme. Um filme como O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, usa a cor para definir a história e os arcos dos personagens de forma tão completa que aparece sob quatro cores.

Há alguns filmes em que a narrativa visual é tão rica, particularmente em metáforas visuais, que poderia se tornar um seminário por si só. Assim, em consonância com nosso objetivo de expandir a maneira como vemos os filmes, optei por explorar com mais detalhes elementos como símbolos subliminares (O Paciente Inglês), ironia visual (Os Imperdoáveis) e políticas visuais (Minha Família).

AS SEIS CARACTERÍSTICAS: UMA NOTA IMPORTANTE PARA O LEITOR

As seis características listadas para cada cor (por exemplo, Vermelhos Poderosos, Ardentes e Desafiadores) foram selecionadas porque essas associações emocionais se repetiram diversas vezes em nossa pesquisa. São apenas exemplos de como uma cor pode ser usada. De forma alguma pretendem limitá-la(o), mas sim servir como ponto de partida para que você possa testar outras interpretações por conta própria. Lembre-se: só porque o azul pode aparecer sob Azuis Passivos, por exemplo, não significa que ele não possa exibir características como Melancólico ou Cerebral também. Da mesma forma, tanto o verde quanto o roxo são listados como tendo a característica de Ameaçador. Tudo depende do contexto em que são usados. Mais um motivo para pensar por si mesmo e não tentar transformar essas categorias em fórmulas rígidas para a seleção de cores. Reúna um grupo e peça que criem um ambiente colorido e observem como o comportamento mudará. Você descobrirá que, se não tentar distorcer os resultados dando pistas ao seu público sobre o que deseja, sua pesquisa será surpreendentemente consistente.

Meu objetivo é facilitar sua utilização de informações não verbais. Quero encorajá-lo a exercitar seus músculos viscerais. Ver (seeing) um filme exige uma habilidade que simplesmente assistir (watching) a um filme não exige.

UMA RESSALVA DO AUTOR

Às vezes, ouço cineastas dizerem: “A cor pode ser o que você quiser que ela seja.” Minha experiência me diz que essa é uma concepção errônea e perigosa. É colocar a carroça na frente dos bois, na verdade. De fato, minha pesquisa sugere que não somos nós que decidimos o que a cor pode ser. Após duas décadas de investigação sobre como a cor afeta o comportamento, estou convencida, quer queiramos ou não, de que é a cor que pode determinar como pensamos e o que sentimos.

Uma das razões pelas quais a cor nos influencia é devido a um fenômeno chamado ressonância. MaryAnn Kilmartin, especialista em biorressonância em San Diego, conversou comigo sobre as ideias de Carlo Rubbia, que ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1984. Segundo Kilmartin, Rubbia calculou que somos um bilhão de partes de luz para uma parte de matéria. Ela explica: “Os seres humanos são basicamente feitos de luz. Parecemos ser feitos de matéria porque estamos programados para ver a natureza corpuscular da luz. Como você deve se lembrar, a luz tem duas formas: corpuscular (sólida) e ondulatória (frequência). Nós ‘sentimos’ a luz, no entanto, porque estamos em ressonância com a luz em sua forma ondulatória. É isso que queremos dizer quando falamos sobre sentir vermelho/raiva/energia, etc.”¹

¹ Bio Resonance and Multi-Resonance Therapy, Vol. 1, ed. Hans Brugemann, Carlo Rubbia, Hague International, Brussels, English Edition, 1993, pp. 208–209.

Assim, nossa natureza perceptiva é incapaz de ver a natureza ondulatória da luz que afeta como nos “sentimos”. A ironia é que a cor nos impacta de maneiras que não podemos ver, mas afeta como nos sentimos e como nos comportamos. Quando entramos em uma sala vermelha, por exemplo, é como se a cor vermelha e o corpo humano se tornassem dois diapasões em ressonância. Como uma nota musical, todo o nosso sistema começa a “vibrar” em vermelho — física, psicológica e emocionalmente.

Cada cor nos afeta de maneira única. Até mesmo a menor variação de uma única cor pode ter uma profunda influência em nosso comportamento. Em mãos sábias, a cor pode se tornar uma ferramenta poderosa para cineastas criarem camadas subliminares em uma história — para tornar uma situação irônica ou absurda. Em Filadélfia, enquanto o moribundo Tom Hanks se agarra ao suporte do soro, traduzindo a letra de uma ópera cujo tema é amor e perda, ele é lentamente envolvido por uma intensa luz vermelha vinda do nada. É como sal visual esfregado em uma ferida emocional. Hanks fala de amor e vida, mas o vermelho contradiz sua realidade emocional. Somos impotentes para ignorá-lo. O vermelho é o contraponto visual às palavras e à música. É sua raiva silenciosa e sua dor mortal, além de um adjetivo visual que sustenta e reforça a brilhante atuação de Hanks.

Por outro lado, o vermelho pálido (rosa) em Os Excêntricos Tenenbaums faz uma enorme diferença na atitude do público em relação ao personagem-título. Royal Tenenbaum faz coisas incrivelmente desprezíveis, mas, como está rodeado por um rosa chiclete, sabemos instintivamente que não devemos levá-lo a sério. A cor o tornou ridículo.

A cor é um dos elementos raramente reconhecidos pelo público como manipulador. Essa qualidade subliminar pode ser mágica nas mãos do diretor — ou não. Uma coisa é certa: se permanecermos alheios a esse poder à nossa disposição, entregamos grande parte do nosso controle ao acaso. A cor continuará a ressoar, a enviar sinais, independentemente das nossas intenções. Portanto, seja dentro ou fora da tela, é essencial sabermos o que estamos fazendo.

INDO ALÉM DO VERBAL

Como desenvolver essa habilidade com a cor? Como usar essa força poderosa para estruturar uma narrativa? Como criar a magia?

Primeiro e mais importante, você seleciona seu hemisfério esquerdo e clica em “Sair”. Você precisa abandonar o controle do seu eu pensante e entregá-lo ao que está vendo. Isso não é fácil em uma cultura que se orgulha da razão inflexível e na qual nossas habilidades perceptivas mais sutis são frequentemente menosprezadas. A maioria de nós adora analisar filmes e conversar sobre o que analisamos. De fato, muitas vezes estamos tão ocupados analisando os pontos da trama que não percebemos como estamos sendo afetados pelo que vemos. Evoluímos para uma geração de faladores com visão preguiçosa. Nós “assistimos”, mas não vemos. E perdemos uma experiência que enriquece nosso núcleo emocional.

Sua experiência será maximizada se, após ler esta seção, você primeiro assistir a um filme antes de ler o resto do livro. Por exemplo, se quiser explorar a influência emocional do azul, pode assistir a As Confissões de Schmidt. O filme começa com um dos escritórios mais azuis da história do cinema. Não apenas registre isso como uma ideia e siga em frente. Observe como o azul acompanha Warren Schmidt aonde quer que ele vá e preste muita atenção ao que o azul está fazendo com você, tanto física quanto emocionalmente. Claro, isso estruturou o personagem de Schmidt, mas também permitiu que você tivesse uma compreensão visceral de quem ele é. Essa é uma experiência muito diferente. Se você usar o livro dessa forma, poderá comparar e contrastar suas observações e descobertas com as minhas. Será mais como um seminário do que uma palestra.

Outra maneira de começar é escolher um filme com o qual você esteja familiarizado, assisti-lo em velocidade acelerada e observar como uma cor ou cores impulsionam a história ou modificam os personagens (afinal, a cor é um adjetivo visual). Em Elizabeth, por exemplo, a cor dos figurinos de Cate Blanchett define a trajetória de sua personagem, à medida que se transforma de um coral pálido e inocente em um vermelho-sangue poderoso.

ARMADILHAS A EVITAR

Os cineastas devem ter cuidado para não fazer escolhas de cor baseadas apenas em uma noção intelectual ou abstrata. Se, por exemplo, um diretor escolhe o azul para simbolizar a “esperança” porque o céu é azul quando o sol brilha, ele ou ela pode descobrir que é possível que ocorra uma reação indesejada. Em vez de se sentir esperançoso, o público pode responder involuntariamente ao azul sentindo-se cansado — até mesmo melancólico.

Esta é uma história verídica: um executivo escolheu seu azul-claro favorito como a cor para a recepção de seu escritório. Com o passar dos meses, ele se viu reclamando da passividade, da complacência e da falta de curiosidade entre seus candidatos a emprego. Ele atribuiu isso ao milênio e cogitou seriamente iniciar um seminário chamado “Iniciativa para o Século XXI”. Minha pesquisa sugeriu que o azul-claro torna as pessoas passivas e introspectivas. Sem saber, ele fazia com que todas as pessoas que ficavam sentadas por mais de cinco minutos em sua sala de espera ficassem “desligadas”. Elas vibravam na melodia que ele visualmente tocava para elas.

Claro, depende de qual azul é usado, mas o que um diretor considera azul-céu, outro chamaria de azul-celeste. Adjetivos para cor são subjetivos. A experiência de ler ou ouvir uma palavra e a sensação física sentida ao ver a cor real não são as mesmas. Na verdade, Jasper Johns, em uma exposição no início da década de 1960 no Museu Judaico de Nova York, “ilustrou” a dicotomia entre uma palavra e a coisa que ela descreve, pendurando uma xícara de chá real em uma tela e escrevendo a palavra “xícara” na pintura com uma seta apontando para a xícara. Houve muito diálogo sobre essa obra, mas o consenso pareceu ser que Johns estava apontando para o fato de que as duas coisas não são iguais. O mesmo vale para a cor e a descrição de uma cor.

Curiosamente, você já possui a informação necessária para escolher uma cor. Ela está simplesmente armazenada em seu próprio repositório perceptivo. Recentemente, uma jovem designer, desconhecida para mim, perguntou-me o que uma determinada cor significava. Pedi que ela fechasse os olhos e se lembrasse de um momento em que sentiu medo e me dissesse quais cores representavam esses sentimentos. As cores que ela escolheu eram exatamente as mesmas que meus alunos haviam escolhido repetidamente em nossos experimentos com cores.

Este livro incentiva você, em primeiro lugar, a abordar tanto a produção quanto a apreciação de filmes de forma visceral. Ainda assim, seu intelecto estará sempre à espera. Às vezes, ele vai querer que você encaixe uma estaca quadrada em um buraco redondo porque deseja que a história seja mais linear. Basta exigir que ele seja paciente. Uma vez que você se treine para realmente ver, seu intelecto estará de volta para tecer sua própria marca de magia.

AS ESCOLHAS DE COR SÃO REALMENTE PLANEJADAS?

Em meus seminários sobre Narrativa Visual, a primeira pergunta que costuma ser feita é: “Tudo isso foi realmente planejado?” A resposta não é um simples sim ou não. A cor pode desempenhar um papel importante em semanas de planejamento na pré-produção. Às vezes, no entanto, os planos são substituídos por decisões instintivas, para as quais uma cor simplesmente “parece certa” no momento.

O diretor de fotografia Roger Deakins, indicado ao Oscar, explica como trabalha com planejamento e instinto nas filmagens de Um Sonho de Liberdade:

“Estive envolvido em Um Sonho de Liberdade desde o início e tive tempo para discutir todos os planos do (diretor de produção) Terry Marsh para os cenários e como eles funcionariam em conjunto com a locação. Como nossa escolha [de cor] precisava funcionar em diferentes condições de iluminação, testamos as cores pintadas no filme muitas vezes antes de definirmos o tom final. Os tons marrons quentes que eu pretendia usar para a iluminação noturna tiveram um efeito diferente no cinza que escolhemos para a iluminação diurna mais fria. É simplesmente o fato de que a luz quente incidindo sobre uma parede cinza-azulada cria uma cor marrom, enquanto a luz do dia fria incidindo sobre a mesma parede muitas vezes realça o azul da cor a um ponto que pode parecer extremo demais no filme. O filme geralmente realça o azul de qualquer forma, então é importante testar pigmentos e figurinos quando se busca um ‘visual’ específico.”

No entanto, Deakins também fala sobre como gosta de trabalhar por instinto quando filma:

“Pode ser um processo analítico, mas acho que é mais frequentemente instintivo. Geralmente é uma ‘sensação’ de que algo está certo ou ‘simplesmente parece certo’, e o que pode ter ‘parecido certo’ na pré-produção pode não estar certo no dia das filmagens. O instintivo pode superar o analítico… Essa é a única maneira que trabalho, e muitas dessas escolhas são feitas enquanto a câmera está sendo posicionada e, talvez, depois que vejo um ensaio.”

Os cineastas podem verificar pragmaticamente a resposta emocional desejada a uma cor. Um excelente exemplo de tomada de decisão sábia é a maneira como a diretora Kasi Lemmons escolheu uma determinada luz verde, que desempenhou um papel fundamental em Visões de um Crime. No roteiro, o escritor George Dawes Green havia especificado um verde “pernicioso” (malvado). Lemmons e a diretora de fotografia Amy Vincent testaram os efeitos de diferentes tons de verde no ator Samuel L. Jackson e avaliaram sua reação física e emocional a cada um deles.

Fluxos de cor que acompanham os arcos emocionais de uma história estão aparecendo nas paredes dos departamentos de arte dos estúdios. Cada vez mais, as cores estão sendo alteradas digitalmente para enfatizar emocionalmente uma cena. Portanto, sim, isso é frequentemente planejado, não apenas no set, mas também na pré-produção e na pós-produção. Considerar como uma cor se manifestará em um filme é essencial.

É obviamente impossível que David Hand, o diretor de Branca de Neve e os Sete Anões (1937); Sofia Coppola, diretora de As Virgens Suicidas (2000); e Kasi Lemmons, diretora de Visões de um Crime (2001) tenham se encontrado e decidido unanimemente escolher um líquido verde como metáfora para veneno. Mas eles o escolheram. O que inspirou essas decisões? Não sabemos ao certo, mas imagine como você se sentiria se alguém lhe oferecesse um copo alto de um líquido verde brilhante. Talvez nossa reação instintiva esteja profundamente enterrada em nosso inconsciente. Talvez seja uma reação de medo alojada em nossa memória genética desde que emergimos da lama primordial de um lago. (Veja a cena de abertura de Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick.)

No ar ou na forma líquida, o verde pode evocar uma associação com o venenoso ou tóxico. O verde na atmosfera, por exemplo, frequentemente precede uma tempestade violenta. Essa é uma consideração importante na escolha do uso da luz verde. Tanto nos bares afro-americanos quanto nos bares gays em Longe do Paraíso, de Todd Haynes, a luz verde sinaliza ao público que algo está sendo percebido como não aceitável no ambiente social. O público reage a isso visceralmente. Sua interpretação depende de quão cuidadosamente o contexto é estabelecido.

Ao longo deste livro, você encontrará anedotas de diretores de fotografia e diretores de produção premiados, cujos comentários ressaltarão a interação essencial entre o técnico e o estético, e entre o planejado e o instintivo. Na escolha de uma cor, uma coisa é certa: um sem o outro pode deixar o resultado ao acaso. E não é aí, seja na tela ou fora dela, que você quer que ele esteja.

UM CONVITE

Você está prestes a começar uma exploração de mais de noventa seleções de filmes nos quais a cor influencia sua percepção de quem é o vilão, quem é a vítima, quem está prestes a se apaixonar e, às vezes, quem está prestes a morrer. Se É Roxo, Alguém Vai Morrer foi escrito da maneira como eu ensino: em um estilo informal e em linguagem acessível. É importante que seu processamento visual não seja interrompido pela necessidade de digerir termos desconhecidos. Os conceitos apresentados neste livro exigirão sua completa atenção visual. Usando filme após filme como referência, você desenvolverá uma consciência de como a cor afeta suas atitudes em relação ao personagem e à história. Espero que você use este livro como um trampolim para seguir seu próprio caminho. Se você não tiver certeza de que uma cor lhe dará o efeito desejado, teste-a em seu público. Faça o que fizer, não se limite a falar sobre cor. Use amostras, fotos, tecidos — o que você preferir — para ilustrar o que está em sua mente. Sinta o efeito físico da cor em você.

É algo sorrateiro, essa coisa chamada cor. Está bem ali na sua frente, mas na maioria das vezes você não percebe o que ela está fazendo. Este livro foi escrito para aguçar essa percepção. Considere-o um convite para participar dos nossos Seminários de Narrativa Visual.

— Patti Bellantoni


Vermelho: a cor cafeinada (pp. 2-3)

O vermelho vivo é como cafeína visual. Pode ativar sua libido ou torná-lo agressivo, ansioso ou compulsivo. Na verdade, o vermelho pode ativar quaisquer paixões latentes que você possa trazer para a mesa, ou para o filme. Vermelho é poder. Mas o vermelho não vem com um imperativo moral. Dependendo das necessidades da história, o vermelho pode dar poder a um mocinho ou a um vilão. Afinal, tanto a Bruxa Má quanto Dorothy usavam os sapatos de rubi.

Porque tendemos a vê-lo primeiro, o vermelho dá a ilusão de avançar em nossa direção. Devido a isso, ele pode manipular nossa percepção do espaço. Em A Firma, de Sydney Pollack, por exemplo, a câmera nos coloca diretamente atrás de Tom Cruise quando a porta do escritório de advocacia se abre. O que vemos é o que Cruise vê: uma parede vermelha vibrante que visualmente transmite “poder”. Como o vermelho vibrante tem essa qualidade visualmente agressiva, o espaço realmente parece avançar e aparenta ser mais raso do que realmente é. É exatamente isso que vai acontecer com ele na firma. Cruise está prestes a entrar em um ambiente de alto poder, onde há pouco espaço para manobrar.

O vermelho também pode fazer algo parecer se mover mais rápido. (Carros vermelhos recebem mais multas por excesso de velocidade do que carros de qualquer outra cor.) O vermelho vivo pode aumentar sua frequência cardíaca e seu nível de ansiedade. É visualmente alto e pode provocar raiva. Uma das minhas alunas contou como sua família feliz e bem ajustada estava entediada com a cor neutra de sua sala de jantar. Eles queriam torná-la mais alegre. Depois de selecionar várias amostras de tinta, optaram por um vermelho vivo. Quase imediatamente e sem aviso, começaram a ter desentendimentos todas as noites durante o jantar. Isso os jogou em uma espiral descendente. Na verdade, a situação ficou tão ruim que eles começaram a fazer terapia familiar. Passaram-se alguns meses sem nenhuma mudança significativa. Frustrados, acabaram buscando uma solução na própria sala de jantar. Como a única coisa que havia mudado era a cor, decidiram voltar ao amarelo-claro original. Quase imediatamente, pararam de brigar.

O vermelho vivo tende a ser frio. A ambiciosa Sigourney Weaver veste vermelho em Uma Secretária de Futuro, e em O Sexto Sentido o assassino de sangue frio o veste em um funeral. Essa agressividade do vermelho vivo é de alguma forma atenuada quando a cor se torna mais quente. Vermelhos quentes (vermelho-alaranjados) tendem a ser sensuais ou ardentes. Pense na colcha de Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado. O rosa (vermelho claro com um toque de azul), como o vagão do trem na última cena de Adeus à Inocência, é mais romântico.

O vermelho escurecido para bordô transmite maturidade, realeza e elegância. Em Feitiço da Lua, quando Loretta (Cher) compra um vestido bordô para a ópera, é uma pista importante para uma mudança em sua personagem até então mundana. O bordô, um vermelho profundo com um leve toque de azul, é mais sofisticado. É como um bom vinho de safra. Sinaliza crescimento e maturidade em Loretta. Esta pode ser sua primeira ópera, mas aquele bordô sugere que provavelmente não será a última.

Em última análise, a cor que a maioria das pessoas considera “vermelha” é aquela que chamamos de “vermelho de carro de bombeiro”. Este é o vermelho que faz as pessoas comerem mais rápido e apostarem mais. Pense no som de uma sirene de incêndio. O vermelho é seu equivalente visual. Torna difícil acreditar que o vermelho nos semáforos nos sinaliza visualmente para “Pare!”


Amarelo: a cor contraditória (pp. 41-43)

O amarelo é uma cor contraditória. É a cor tanto dos narcisos quanto das vespas. Essa é sua primeira pista, ou aviso. Uma das razões pelas quais o amarelo é a cor usada para placas de advertência é que ele é visualmente agressivo. Parece vir em sua direção. Nós o incorporamos em nossa consciência como uma cor de alerta. Répteis e anfíbios venenosos costumam ser amarelos — um aviso para todos que se aproximam, um grande “cuidado” embutido em nosso código genético.

É também a cor que identificamos com o sol. Associamos o amarelo a uma poderosa energia vital — à própria exuberância. Em qualquer situação ou lugar em que você o encontre, o amarelo brilhante pode roubar a cena, sempre clamando por atenção. O amarelo intenso, no entanto, tem um lado sombrio. O falecido Dr. Harry Hepner, professor de Psicologia da Publicidade na Universidade de Syracuse, afirmou: “O amarelo é a cor mais lembrada e mais desprezada.” Isso apresenta um paralelo interessante com a cor associada à felicidade. Na verdade, essa qualidade faz do amarelo um sinal perfeito de obsessão. Steve McQueen, o banqueiro entediado em busca de emoção em O Grande Golpe, veste amarelo. Assim como Tom Ripley (Matt Damon), o romântico perturbado em O Talentoso Ripley. Travis Bickle (Robert De Niro), um dos maiores obsessivos da história do cinema, dirige um táxi amarelo saturado em Taxi Driver. Até mesmo Warren Beatty como Dick Tracy veste amarelo. Todos eles são, de uma forma ou de outra, obsessivos. A afirmação do Dr. Hepner de que a cor é a mais desprezada provavelmente vem do fato de que o amarelo brilhante em grandes quantidades pode ser muito agressivo para os olhos. Na verdade, em nossos experimentos, descobrimos que um ambiente totalmente amarelo produzia ansiedade. O amarelo era como um alarme visual de carro tentando se intrometer em nós. Carlton Wagner, do Instituto Wagner de Pesquisa da Cor, afirmou na edição de agosto de 1990 da revista Woman: “Pessoas na fossa acreditam que o amarelo é claro e ensolarado e que as animará. Mas o amarelo cria ansiedade e aumenta o estresse… Na presença do amarelo, você estará mais propenso a perder a paciência.”

Apesar disso, o amarelo pode ser surpreendentemente versátil. Uma das chaves para controlá-lo é dessaturá-lo. Quanto mais clareado, mais elegante ele se torna. O amarelo quase branco do Packard de Faye Dunaway em Chinatown é o auge da sofisticação. Um amarelo pastel (metade amarelo, metade branco), como a cor que envolve Mia Farrow em O Bebê de Rosemary, reflete sua inocência. Quando deixado em um estado saturado, como o traje de banho amarelo ácido que Matt Damon veste em O Talentoso Ripley, no entanto, torna-se uma cor tão visualmente hostil que você recua dela.

A qualidade agressiva do amarelo brilhante, quando usado como luz, também pode ser percebida como ameaçadora. Os “raios Y” em Visões de um Crime são uma luz amarela intensa que o personagem de Samuel L. Jackson caracteriza como “cruel”.

Algo mágico acontece, no entanto, quando o amarelo do sol começa sua transformação na cor do mel. É nessa luz dourada, a luz das longas sombras do final da tarde, que memórias, sonhos e idílios nascem visualmente. Pense em como os fios dourados e cintilantes da linha de pesca dançavam no ar em Nada é para sempre, ou em como o mundo cor de mel dos jovens e ricos da Riviera Italiana preparou o cenário para O Talentoso Ripley.


Azul: a cor distante (pp. 81-83)

O azul pode ser um lago tranquilo ou um suave manto de tristeza. É silencioso e distante. Ano após ano, nossas pesquisas sobre cores mostram que, em um ambiente azul, as pessoas se tornam passivas e introspectivas. É uma cor para pensar, mas não para agir. Pense em Hamlet. O diretor Lasse Hallstrom é um mestre em criar uma sensação de anseio — de algo inacabado — com um azul acinzentado. Pense em Regras da Vida ou Chegadas e Partidas. Ambos têm uma sensação persistente de melancolia — o que o dicionário chama de “uma tristeza suave”.

Há uma ótima história sobre Knute Rockne, o famoso treinador de futebol americano de Notre Dame, que, na década de 1920, pintou o vestiário dos visitantes de azul e venceu todos os jogos, temporada após temporada. A teoria é que ele desconcertava totalmente seus oponentes com o azul e motivava seu próprio time com o vermelho. Verdade ou não, é uma ótima ilustração de outra das influências do azul. O azul é a cor quintessencial da impotência. Basta olhar para o azul-acinzentado do escritório de Kevin Spacey em Beleza Americana para saber que ele é um homem impotente.

Uma expressão como “azul verdadeiro”, no entanto, não é um conceito visual. Não deriva diretamente de como a cor nos afeta visceralmente. Vem de uma ideia. Por exemplo, podemos contar com o céu azul; portanto, azul é sinônimo de lealdade e confiabilidade. Não caia nessa armadilha. Mesmo um azul muito claro tem uma capacidade incrível de influenciar nossas reações emocionais ao que acontece na tela. Na verdade, como os filmes desta seção mostrarão, ele pode definir o tom de todo o filme.

Azul-aço e índigo escuro são cores menos associadas ao sensual e mais associadas ao intelecto. Governantas e damas solteiras usam azul escuro. É a cor usada por Charlotte Gainsbourg em Jane Eyre, de Zeffirelli, e por Emma Thompson na interpretação de Ang Lee de Razão e Sensibilidade, de Jane Austen.

Chocolat, de Hallstrom, por outro lado, usa um azul-turquesa intenso como uma presença exótica que, por ser combinado com o verde, aquece visualmente as forças conservadoras de uma pequena vila. Em nossas explorações do azul-esverdeado/turquesa, descobrimos que era uma cor que inspirava abertura e interação. Na presença do azul-esverdeado, os alunos conversavam alegremente e realmente perdiam a noção do tempo. Na presença de um azul mais claro e frio, eles queriam ficar quietos e parados.

Devido à sua tendência de gerar inércia, o azul raramente é usado como cor dominante. Em Billy Elliot, no entanto, um azul intenso é usado para sinalizar a determinação fria de um pai que tenta manter seu filho exuberante sob controle. A cor que define o filho é o amarelo. O azul frio e o amarelo quente e brilhante na cozinha dos Elliot criam uma espécie de guerra visual que espelha o arco da história.

O azul pode ter características aparentemente contraditórias porque é a cor mais fria do espectro. A menor mudança nessa cor, portanto, pode alterar completamente a forma como você reage a ela. Talvez, estatisticamente, o azul seja a cor favorita de todos porque cada pessoa pensa nele de uma maneira diferente. É também por isso que você precisa ter certeza de que o azul escolhido criará a resposta desejada. Não se limite a descrevê-lo. Teste-o em seu “público” e só então decida.


Laranja: a cor agridoce (pp. 111-113)    

A cor laranja manifesta sua influência de uma maneira diferente das outras cores. Enquanto o vermelho diz “Estou aqui!”, o amarelo é exuberante e o azul é descontraído, nossa pesquisa revelou que o laranja é genericamente “agradável”. Na verdade, de todas as nossas investigações, o laranja opaco foi a cor mais otimista e menos dramática. Não houve surtos, nem surpresas. Não houve insights profundos nas críticas. A cor simplesmente transmitia uma cordialidade calorosa e acolhedora. (Corretores de imóveis sugerem plantar calêndulas laranja no jardim da frente para vender uma casa mais rapidamente.) O laranja, raramente ausente em Minha Família, de Gregory Nava, por exemplo, torna-se a tradução visual da cola emocional que une as gerações.

Como luz, no entanto, o laranja tem uma qualidade ambígua. O que sentimos ao pôr do sol não é apenas um clichê romantizado. Algo realmente acontece conosco fisicamente quando observamos o brilho intenso do sol quase branco se transformar em um laranja rico e radiante no céu. A luz laranja brilhante (e suas associações com o sol) pode nos levar a uma jornada visceral que aquece e expande nosso campo emocional.

Existem outros tipos de céus alaranjados, no entanto, que surgem em horários do dia em que o sol está mais alto no céu. São os céus de Blade Runner e Gattaca. Sua luz sinaliza ar contaminado por poluentes. O céu na página 114 é um exemplo de uma atmosfera não criada para um filme. Foi fotografado às 13h durante os incêndios de Los Angeles em 2003.

A luz laranja em um interior, por outro lado, pode ser interpretada como romântica. Annie Savoy (Susan Sarandon) joga lenços laranja sobre os abajures em seu quarto para criar uma atmosfera romântica em Sorte no Amor.

O laranja também é uma cor que celebra a classe trabalhadora. Pense em quantas vezes o vemos em restaurantes baratos e motéis de cinema. Observe quantas variações de laranja você encontrará em Thelma & Louise. As variações de laranja se manifestam até mesmo nas ricas cores terracota da terra ao longo de sua rota pelo sudoeste americano.

Embora as cores da terra não sejam cores do espectro, elas são incluídas aqui por terem uma relação familiar com o laranja. Terracotas, sienas, ocres e fuscos exercem uma espécie de influência primordial em como reagimos a elas. Respondemos positivamente às cores da terra. Sentimos familiaridade com a pequena casa de adobe de Clint Eastwood em Os Imperdoáveis, por exemplo. Este é um lugar onde a lama faz parte do cotidiano. É como se esta casa tivesse brotado do próprio solo em que se encontra, e Eastwood dedica tempo a contemplar as paredes de adobe, de modo que elas se registram em nossos sentidos. Observe atentamente o interior e você poderá ver como a casa conta a história do homem.

O versátil laranja também pode ser interpretado como exótico. Pense nas sedas luxuosas de Um Casamento à Indiana e Driblando o Destino. Na verdade, Alfonso Cuarón usou com maestria tons exuberantes de açafrão e laranja em A Princesinha para definir a jovem heroína e contrastar seu caráter com o verde-terra usado pela diretora de um colégio interno repressivo para meninas.

O filme Elizabeth oferece a oportunidade de observar a cor como um arco de personagem: se você avançar o filme rapidamente, poderá acompanhar visualmente o papel do laranja na ascensão da rainha ao poder. Desde a primeira vez que a vemos como adolescente até ela se tornar uma das monarcas mais poderosas da história, observe como o laranja que a define evolui de um tom pastel para o vermelho-sangue.

Após mais de vinte anos de pesquisas sobre cores, meus alunos e eu concluímos que não esperamos que o laranja estimule a atividade analítica. Se Thelma e Louise soubessem…


Verde: a cor da dupla personalidade (pp. 159-161)

O verde é realmente uma cor dicotômica. É a cor de vegetais frescos e de carne estragada. Talvez sua duplicidade venha dos nossos tempos mais primitivos neste planeta, quando o verde sinalizava tanto alimento quanto perigo.

É um fato simples que o verde, em sua manifestação vegetal, sinaliza a própria vida. O verde na atmosfera, no entanto, pode sinalizar um sistema de baixa pressão capaz de gerar um tornado, e “Cuidado com a água verde” é um aviso de marinheiros. Assim, o verde pode sinalizar saúde e vitalidade ou perigo e decadência.

Precisamente por causa de suas associações positivas no reino vegetal, o verde pode ser usado como uma poderosa ferramenta de ironia. Em Além da Linha Vermelha, quando jovens assassinados desaparecem em um mar de grama exuberante e ondulante, é justamente a frescura dessa grama que nos faz lembrar que, momentos antes, eles estavam vivos. Em O Resgate do Soldado Ryan, a ironia é mais silenciosa e contemplativa quando vemos as centenas de lápides marcando os mortos sob um mar de grama verde vibrante. Em ambos os casos, é a cor que fornece o contexto visual dentro do qual a história adquire um significado emocional mais completo.

Nossa associação com o verde em pântanos cobertos de lodo, repletos de cobras e jacarés, no entanto, deu origem à imagem de dragões, demônios e monstros. Isso também pode influenciar nossa aversão ao verde na forma líquida. É obviamente impossível que David Hand, diretor de Branca de Neve e os Sete Anões (1937); Sofia Coppola, diretora de As Virgens Suicidas (2000); e Kasi Lemmons, diretora de Visões de um Crime (2001) tenham se reunido e decidido unanimemente escolher um líquido verde como metáfora para veneno. Mas eles o escolheram. Um veneno líquido verde infundiu a maçã em Branca de Neve. O verde tornou-se uma metáfora para uma sociedade corrupta e literalmente envenenada nas bebidas de asfixia das festas em As Virgens Suicidas e nos drinques de limão em Visões de um Crime. Experimente beber um líquido verde claro (exceto cerveja no Dia de São Patrício) e veja por si mesmo que há algo em bebidas verdes que você prefere evitar.

Quando associado ao corpo humano, o verde geralmente remete à doença ou ao mal. Quantas vezes você já ouviu: “Você está bem? Você está com uma aparência esverdeada.” Quando vemos a Bruxa Má do Oeste pela primeira vez como Srta. Gulch em O Mágico de Oz, ela está em preto e branco. Sabemos que ela é má, mas quando o filme muda para cores e a vemos de verde, ela se torna virulenta.

Devido à natureza ambivalente do verde, é importante basear sua decisão sobre qual tom de verde usar em uma determinada cena na reação do público. É crucial ter uma visão muito clara do que se deseja e, mesmo assim, testá-lo em um público potencial.


Roxo: a cor que vai além do corpo (pp. 189-191)

Houve momentos, particularmente em contos românticos e poesia, em que o roxo foi associado à sensualidade. Suspeito que isso se deva à associação da cor com o consumo de uvas. No entanto, durante nossos mais de vinte anos de pesquisa sobre os efeitos da cor no comportamento, o roxo nunca foi associado à sensualidade. Na verdade, não parece haver nenhuma evidência real de que o roxo tenha qualquer efeito no âmbito físico. A cor, no entanto, exerceu uma poderosa influência no reino do não corpóreo, do místico e até mesmo do paranormal.

Uma descrição completa de nossos experimentos com cores aparece no Backstory, na página XXIII. Mas, para revisar nosso projeto brevemente: durante um período de mais de vinte anos, aproximadamente dois mil alunos estiveram envolvidos na criação de “ambientes” que exploravam a cor, suas associações com os sentidos e seu efeito sobre o comportamento. A cada semestre, pelo menos uma turma escolhia o roxo, e a cor ressoava com os alunos de maneiras consistentes. Os projetos para seus ambientes frequentemente abordavam rituais, magia e espiritualidade. A cada ano, pelo menos um grupo construía um altar.

Eu esperava interpretações de “realeza” e estava pronto para discutir por que essa era uma resposta intelectual e não visceral à cor. Fiquei surpresa, porém, com a ausência de referências à realeza associadas ao roxo. Na verdade, as interpretações da cor como realeza foram superadas em uma proporção de aproximadamente dez para um por suas associações com o espiritual e o místico. Ocasionalmente, havia tronos nos ambientes, mas a associação com o real e o régio vem do fato de o roxo ser a cor mais difícil de se encontrar na natureza. Sua própria raridade o associa aos adornos raros de imperadores, reis e rainhas.

Mas os altares pertencem a um gênero completamente diferente. Os altares estão no domínio de algo além do material. Os altares que os alunos projetaram frequentemente usavam associações religiosas como ponto de partida. Havia altares para o chocolate (um sabor frequentemente associado à cor) e para o aroma de lavanda. Havia videntes, cartomantes e bruxas. Frequentemente, havia vigílias, velórios e funerais. Um funeral chegou a ter uma lápide para cada membro da turma.

O que é significativo é que não houve absolutamente nenhuma discussão sobre o roxo ou os sinais de que ele transmite antes de os alunos projetarem seus ambientes. Na verdade, eles estavam proibidos de contar a qualquer pessoa fora do grupo o que estavam fazendo para o projeto. Os alunos simplesmente estavam respondendo intuitivamente à cor. E por mais de vinte anos, os resultados foram virtualmente sem desvio.

Descobrimos que o roxo é uma cor que inspira associações com o não físico. Ele transmite um sinal de que alguém ou algo será transformado. Por exemplo, em Amor, Sublime Amor, Bernardo, com sua camisa roxa tão intensa quanto sua atitude, dança mambo com Anita, sem saber que em vinte e quatro horas estará morto. Em O Sexto Sentido, vestindo um elegante violeta iridescente, Anna vai à adega apenas para retornar e, em poucos minutos, ver seu marido assassinado. Em Gladiador, Marco Aurélio, com seus cabelos prateados envoltos por um capuz violeta, observa suas legiões aniquilarem os bárbaros. Visualmente, ele é a própria encarnação da morte régia. Dentro da próxima meia hora de filme, ele também morrerá.

A morte nem sempre é literal. Nem sempre é alguém, mas algo que morrerá ou se perderá quando a cor roxa aparecer na tela. Pode ser amor, juventude, sonho ou ilusão. Max Fisher, o jovem rebelde em Três é demais, sobe uma escada até o quarto roxo de sua professora, apenas para perder a ilusão de que dormirá com ela. Em De Olhos Bem Fechados, a jovem prostituta veste roxo. Ela não só não dorme com Tom Cruise, ela também é soropositiva.[*]

E em Chicago, onde a luz roxa é uma presença constante, o próprio assassinato se torna um ato satírico de música e dança.

Capítulos e seções do livro

Vermelho: A Cor Cafeinada

Capítulo 1 — Vermelhos Poderosos, Ardentes e Desafiadores

Vermelhos Poderosos

  • O Mágico de Oz
  • Uma Secretária de Futuro
  • Dick Tracy

Vermelhos Ardentes

  • Crown, o Magnífico
  • O Tigre e o Dragão
  • Shakespeare Apaixonado
  • Vítimas de uma Paixão

Vermelhos Desafiadores

  • Juventude Transviada
  • Chocolat
  • Malcolm X

Capítulo 2 — Vermelhos Ansiosos, Raivosos e Românticos

Vermelhos Ansiosos

  • O Sexto Sentido
  • Corra, Lola, Corra

Vermelhos Raivosos

  • Filadélfia
  • A Lista de Schindler
  • Beleza Americana
  • Romeu + Julieta

Vermelhos Românticos

  • A Época da Inocência
  • Sinfonia de Paris
  • A Testemunha
  • Adeus à Inocência
  • Regras da Vida

Amarelo: A Cor Contrária

Capítulo 3 — Amarelos Exuberantes, Obsessivos e Audaciosos

Amarelos Exuberantes

  • Loucuras de Verão
  • Billy Elliot
  • O Mágico de Oz

Amarelos Obsessivos

  • Taxi Driver
  • Romeu + Julieta
  • O Paciente Inglês

Amarelos Audaciosos

  • Thomas Crown: a arte do crime
  • Dick Tracy

Capítulo 4 — Amarelos Inocentes, de Advertência e Idílicos

Amarelos Inocentes

  • Chinatown
  • O Bebê de Rosemary

Amarelos de Advertência

  • A Época da Inocência
  • Visões de um Crime

Amarelos Idílicos

  • Muito Barulho por Nada
  • O Talentoso Ripley
  • Malcolm X
  • Gladiador

Azul: A Cor Distante

Capítulo 5 — Azuis Impotentes, Cerebrais e Quentes

Azuis Impotentes

  • Tootsie
  • O Mágico de Oz
  • Razão e Sensibilidade
  • Um Sonho de Liberdade
  • O Bebê de Rosemary

Azuis Cerebrais

  • O Tigre e o Dragão
  • Malcolm X
  • Blow-Up

Azuis Quentes

  • Uma Secretária de Futuro
  • Billy Elliot
  • Chocolat

Capítulo 6 — Azuis Melancólicos, Frios e Passivos

Azuis Melancólicos

  • Chegadas e Partidas
  • As Confissões de Schmidt

Azuis Frios

  • O Sexto Sentido
  • Neve sobre os Cedros
  • Romeu + Julieta

Azuis Passivos

  • Beleza Americana
  • Regras da Vida

Laranja: A Cor Agridoce

Capítulo 7 — Laranjas Quentes, Ingênuos e Românticos

Laranjas Quentes

  • O Poderoso Chefão
  • Minha Família
  • Acerto de Contas

Laranjas Ingênuos

  • Elizabeth
  • Thelma & Louise
  • Loucuras de Verão

Laranjas Românticos

  • Sorte no Amor
  • Longe do Paraíso

Capítulo 8 — Laranjas Exóticos, Tóxicos e Terrosos Naturais

Laranjas Exóticos

  • A Princesinha
  • Um Casamento à Indiana

Laranjas Tóxicos

  • Blade Runner
  • Apocalipse Now Redux
  • Gattaca

Laranjas Terrosos Naturais

  • Os Imperdoáveis
  • Thelma & Louise

Verde: A cor da dupla personalidade

Capítulo 9 — Verdes Saudáveis, Ambivalentes e Vitais

Verdes Saudáveis

  • A Testemunha
  • Nas Montanhas dos gorilas

Verdes Ambivalentes

  • A Costa do Mosquito
  • O Tigre e o Dragão

Verdes Vitais

  • O Resgate do Soldado Ryan
  • Além da Linha Vermelha

Capítulo 10 — Verdes Venenosos, Ameaçadores e Corruptos

Verdes Venenosos

  • Branca de Neve e os Sete Anões
  • O Mágico de Oz

Verdes Ameaçadores

  • Visões de um Crime
  • Gattaca
  • A Princesinha

Verdes Corruptos

  • As Virgens Suicidas
  • Cabaret
  • Grandes Esperanças

Roxo: A Cor Além do Corpo

Capítulo 11 — Roxos Assexuais, Ilusórios e Fantásticos

Roxos Assexuais

  • De Olhos Bem Fechados
  • Blow-Up

Roxos Ilusórios

  • Três é demais
  • Tootsie
  • Dick Tracy
  • Longe do Paraíso

Roxos Fantásticos

  • Cabaret
  • Chicago

Capítulo 12 — Roxos Místicos, Ameaçadores e Etéreos

Roxos Místicos

  • Branca de Neve e os Sete Anões
  • Amores Divididos

Roxos Ameaçadores

  • Gladiador
  • O Sexto Sentido
  • Apocalipse Now Redux
  • Longe do Paraíso

Roxos Etéreos

  • Déjà Vu
  • O Tigre e o Dragão

[*] Nota do tradutor: a escrita e interpretação da autora nesta passagem remontam a um contexto datado, quando a soropositividade era equivocadamente associada a uma sentença de morte.