Edição 20

Edição lançada em

Editorial 20

Dar continuidade a um projeto abastecido pela paixão pelas imagens & sons e pela escrita é um desafio. Dos mais árduos, diga-se de passagem. Isso porque são atividades que requerem um tempo próprio, singular, e todos sabemos que os minutos, os segundos cronometrados da rotina nossa de cada dia são hábeis em sufocar aquilo que amamos.

Não seríamos a primeira revista virtual a sucumbir diante dos compromissos que esgotam a energia necessária à peleja que por si só é encarar a página em branco. Umas, mais bem-sucedidas, duraram anos; outras, muito menos. Algumas lutam até hoje. Nós decidimos que queremos estar entre essas, que seremos bons de briga. Talvez nos expondo até ao ridículo, superestimando nosso tamanho. Afinal, quem é mesmo Pós-créditos na fila do pão?

Talvez sejamos os últimos, mas em tempos em que a papa é complexa e disforme (às vezes quase parece “caca”), queremos sim distinguir a beleza, do horror, o miolo macio e a casca crocante, da massa dura ou batumada. Queremos discorrer racionalmente, poeticamente, nostalgicamente, emocionalmente (e todos os outros –entes aos quais temos direito) sobre o cheirinho do pão, mesmo que seja da porta da padaria.

Mas deixemos essa analogia esdrúxula e também os chorumes (ou o WordPress nos cobrará sessão psicoterapêutica por esta postagem). Nos ausentamos? Sim. Será a última vez que isso acontece? É certo que não. Ficamos com saudades? Sim, por isso voltamos. E que o leitor não nos leve a mal, mas sentimos saudades sobretudo dos filmes, das séries, e desse processo que se desdobra em palavras. Porque o processo da crítica é, antes de tudo, com isso.

Mas voltamos, e em ritmo de festa. Isso porque Curtindo a vida adoidado, de John Hughes, completou seu 30º aniversário (mas com carinha de teenager), e, por isso, ganhou nossa homenagem no cabeçalho da revista, agora fazendo jus ao título da publicação. A cada edição, um filme será homenageado, com parte dos seus créditos constando na arte do cabeçalho (percebam que esse hiato foi muito bem aproveitado para um aprofundadíssimo curso de Photoshop).

A jovialidade de um dos mais célebres filmes de Hughes, aliás, cabe ao momento da revista, que está cheia de sangue novo. Ironicamente, dois dos novatos tratam de experiências derradeiras: Guilherme Godoy fala sobre Blackstar, um dos últimos clipes de David Bowie, e Daniel Figueira escreve sobre Últimas conversas, trabalho de Eduardo Coutinho, concluído por João Moreira Salles. Em abordagens distintas, Álvaro André Zeini Cruz e Liene Saddi tocam o sujeito contemporâneo ao escreverem, respectivamente, sobre a série Sherlock e o filme Cavaleiro de Copas, de Terrence Malick. Felipe Cruz, por sua vez, se entende como sujeito em seu texto-relação-confissão sobre Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola. Juliana Maués, por fim, releva a falta de tato de John Carney com Keira Knightley e analisa Sing Street, filme mais recente do cineasta irlandês.

Boa leitura e bom retorno.

Álvaro André Zeini Cruz

editor

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